Donald Trump trabalha na suíte presidencial do Centro Médico Militar Nacional Walter Reed em Bethesda, Maryland, em 3 de outubro -  Joyce N. Boghosian/ Casa Branca / AFP
Donald Trump trabalha na suíte presidencial do Centro Médico Militar Nacional Walter Reed em Bethesda, Maryland, em 3 de outubro Joyce N. Boghosian/ Casa Branca / AFP
Por AFP
Washington - O presidente americano, Donald Trump, "continua melhorando" e pode ter alta na segunda-feira, disseram neste domingo seus médicos, depois de boletins contraditórios sobre seu estado de saúde, após sua hospitalização na sexta-feira por covid-19.

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Donald Trump trabalha na suíte presidencial do Centro Médico Militar Nacional Walter Reed em Bethesda, Maryland, em 3 de outubro Joyce N. Boghosian/ Casa Branca / AFP
Trump grava vídeo e diz que próximos dias serão cruciais em seu tratamento ao covid-19 Reprodução
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embarca para o Centro Médico Militar Walter Reed, após teste positivo para Covid-19 Saul Loeb/ AFP
O presidente Donald Trump passará os próximos dias em um hospital militar nos arredores de Washington para se submeter a tratamento para o coronavírus, mas continuará trabalhando, disse a Casa Branca sexta-feira AFP
White House physician Sean Conley (2nd R), with medical staff, arrives to give an update on the condition of US President Donald Trump, on October 3, 2020, at Walter Reed Medical Center in Bethesda, Maryland. - Trump is "doing very well" and is up and moving about as he undergoes treatment for Covid-19 with his symptoms improving, Conley said. (Photo by Brendan Smialowski / AFP) AFP


A equipe médica do presidente informou que seus níveis de oxigênio tinham baixado duas vezes nos últimos dias e que está sendo tratado com esteroides, mas deu uma avaliação otimista de seu estado de saúde e das perspectivas do mandatário de 74 anos.

"Desde que falamos pela última vez (no sábado), o presidente continua melhorando. Como ocorre com qualquer doença, há altos e baixos frequentes em seu curso", disse o médico de Trump, Sean Conley.

O presidente continuou trabalhando, apesar de sua internação no hospital militar Walter Reed, na periferia de Washington, fez telefonemas e tuitou no centro médico.

Conley disse que o presidente tinha sido transferido para o hospital na sexta-feira depois de um "rápido avanço" da covid-19, com seus níveis de oxigênio baixos. Ele chegou a receber oxigênio antes de ser hospitalizado.

Brian Garibaldi, outro dos médicos de Trump, disse que o presidente chegou a se colocar "de pé e caminhando".

"Se continuar se sentindo e aparentando estar tão bem quanto hoje, temos esperança de poder lhe dar alta já amanhã (segunda-feira) para que possa continuar com o tratamento na Casa Branca", disse o médico.

Na noite de sábado, a equipe médica havia dito que o presidente não estava fora de perigo, apesar de se manifestar "cautelosamente otimista", depois de declarações do chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, que mostrou preocupação com a saúde de Trump, provocando confusão.

Nesse mesmo dia, o mandatário divulgou no Twitter um vídeo no qual disse se sentir "muito melhor" e destacou que voltaria "em breve".

Entre a noite de sábado e o domingo de manhã, Trump falou por telefone com várias pessoas, entre elas seu vice-diretor de campanha Jason Miller, faltando apenas um mês para as eleições de 3 de novembro.

Seu filho, Eric Trump, também disse ter falado com o pai: "Falamos sobre o novo plano de recuperação econômica", contou. "Não pensei que estaria com ânimo para uma conversa".

O assessor de segurança nacional, Robert O'Brien, também destacou o ânimo de Trump e disse à CBS que qualquer discussão sobre uma possível transferência de poder ao vice-presidente Mike Pence "não é algo que esteja sobre a mesa".

Segundo ele, Trump pediu para transmitir que, apesar de estar hospitalizado, está ativo, "firmemente no controle".

Ainda persistem dúvidas sobre o momento do contágio e se poderia ter exposto dezenas de pessoas à covid-19.

Uma linha do tempo fornecida pelos assessores e médicos de Trump sugeriu que ele se reuniu com mais de 30 doadores de campanha na quinta-feira em Nova Jersey, inclusive depois de saber que sua assistente próxima, Hope Hicks, tinha testado positivo, apenas horas antes de anunciada sua própria infecção.

A esposa de Trump, Melania, também está com o novo coronavírus, mas sem sintomas graves.

Aprovação em baixa 
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Uma pesquisa, realizada dois dias depois do debate presidencial com seu adversário, o democrata Joe Biden, na terça-feira, e antes da notícia da doença de Trump, mostrou que seu índice de adesão estava no ponto mais baixo do ano.

A consulta do Wall Street Journal/NBC deu a Biden uma vantagem de 53% contra 39% entre os eleitores registrados.

A hospitalização de Trump gerou simpatia generalizada, mas muitos consideram que ele está pagando o preço por desdenhar da gravidade da doença.

Miller disse no domingo que Trump pediu para transmitir aos americanos a importância de usar máscaras e tomar precauções.

Diante disso, a presidente da Câmera de Representantes, Nancy Pelosi, disse à CBS que "não se pode simplesmente dizer que temos que fazer algo, mas deixar o vírus circular livremente. Agora, circula livremente até na Casa Branca".

Os médicos tratam Trump com dexametasona, um medicamento da família dos corticosteroides, eficaz contra formas graves de covid-19, além do antiviral remdesivir e o coquetel experimental da empresa Regeneron. Mas a equipe média não deu detalhes sobre o estado dos pulmões de Trump.

Pence, em campanha
A polêmica sobre a falta de precauções na Casa Branca e na família Trump com o coronavírus cresceu no domingo, mas também sobre a decisão de que o vice-presidente continue fazendo campanha. É ele quem assumiria as rédeas do governo em caso de incapacidade de Trump.

Pence esteve perto de alguns infectados, mas testou negativo para o novo coronavírus. E tem diante de si uma agenda apertada.

Várias perguntas alimentam as controvérsias. Quando o presidente se contaminou? Por que os organizadores do debate de terça-feira em Cleveland deixaram que toda a família Trump comparecesse sem máscaras?

A política de prevenção do Executivo se baseou totalmente em testes, um erro denunciado por especialistas durante meses.

A campanha de Biden, que fará um novo exame de covid-19 neste domingo, diz que a doença do presidente apoia a decisão do democrata de liderar uma campanha limitada, com um forte componente virtual.

Os Estados Unidos somam quase 210.000 mortos pelo novo coronavírus.