FBI detalha plano para sequestrar governadora de Michigan, nos EUA

Ação frustrou seis membros de uma milícia levarem política. Gretchen Whitmer foi criticada publicamente várias vezes pelo presidente Donald Trump por manter medidas para conter o avanço do coronavírus

Por O Dia

Governadora democrata seria sequestrada antes das eleições presidenciais de 3 de novembro, nos EUA
Governadora democrata seria sequestrada antes das eleições presidenciais de 3 de novembro, nos EUA -
EUA - O FBI (polícia federal americana) revelou, nesta quinta-feira, que frustrou o plano de seis membros de uma milícia nos Estados Unidos para sequestrar a governadora democrata do Estado de Michigan, Gretchen Whitmer. A governadora foi criticada publicamente várias vezes pelo presidente Donald Trump por manter uma política restritiva para conter o avanço do coronavírus no Estado.

Segundo o FBI, os seis foram presos e serão julgados. Andrew Birge, promotor do distrito oeste de Michigan, disse que os seis homens respondem a crimes federais por conspirar para sequestrar a governadora. A procuradora-geral de Michigan, Dana Nessel, informou que mais sete pessoas que planejavam atacar a polícia e iniciar uma guerra civil foram presas. Segundo ela, eles são integrantes de uma milícia chamada Wolverine Watchmen e respondem a acusações estaduais.

Os conspiradores, de acordo com um depoimento do FBI, pareciam motivados por sua crença de que os governos estaduais, incluindo o de Michigan, estavam violando a Constituição. Um dos envolvidos reclamou em junho que Whitmer estava controlando a abertura de academias - uma aparente referência às restrições do Estado. Sem o conhecimento deles, o FBI tinha informantes gravando muitas de suas discussões, de acordo com o depoimento.

Os seis homens planejavam sequestrar Whitmer antes das eleições presidenciais de 3 de novembro e "julgá-la por traição", como apontou a investigação conduzia pelo FBI desde o início do ano. Em meados de março, Gretchen promulgou algumas das restrições mais duras do país para frear a pandemia e coronavírus em seu Estado, um dos mais afetados pela covid-19.

Os milicianos consideravam a governadora uma "tirana" e planejavam vários cenários para sequestrá-la, incluindo sua residência em Lansing, a capital do Estado, e em sua casa de veraneio no norte de Michigan. Segundo um agente secreto do FBI, para levar seu plano adiante, os conspiradores tentaram comprar explosivos. O promotor Birge explicou que os homens vigiaram a casa dela e chegaram a testar um artefato explosivo improvisado, que pretendiam usar para despistar a polícia.

A procuradora-geral explicou que suspeita-se que os sete integrantes da milícia que respondem por crimes estaduais tenham tentado identificar residências de policias como alvo para "instigar uma guerra civil". Estes sete homens foram acusados de vários crimes, incluindo dar apoio material a atos terroristas, de gangues e violações das normas sobre armas de fogo.

Trump critica frequentemente Whitmer pela maneira como ela gerenciou a crise de saúde no Estado. Em abril, ele publicou a mensagem: "liberem Michigan". No fim desse mês, manifestantes armados entraram no Congresso do Estado para exigir um relaxamento das medidas sanitárias.

Antes disso, várias centenas de opositores ao confinamento, alguns fortemente armados, foram às ruas de Lansing várias vezes para protestar e pedir a reabertura da economia local.

Ao apresentar as acusações, as autoridades citaram o clima político tóxico do país. "Todos nós em Michigan podemos discordar sobre política", disse Matthew Schneider, o procurador dos EUA para o Distrito Leste de Michigan. "Mas essas divergências nunca, jamais devem ser transformadas em violência "

Ameaça de extremistas domésticos

Memorandos internos de segurança dos Estado Unidos de meses recentes alertaram que extremistas domésticos violentos poderiam representar uma ameaça a alvos relacionados à eleição, uma preocupação exacerbada pela pandemia de coronavírus, tensões políticas, tumultos civis e campanhas de desinformação do exterior.

Em setembro, o diretor do FBI, Christopher Wray, disse durante audiências parlamentares que sua agência estava realizando investigações sobre extremistas domésticos violentos, incluindo supremacistas brancos e grupos antifascistas. Wray disse que o "grosso" das investigações tratava de grupos de supremacistas brancos. (Com agências internacionais)

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