Príncipe William  - AFP
Príncipe William AFP
Por AFP
Londres - Com um chamado pela solução da crise climática até 2030, o príncipe William se uniu neste sábado a um grupo internacional de ativistas, artistas, celebridades e políticos que participaram de um evento da série de conferências TED destinado a promover ações e união para enfrentar a crise climática.

"Os objetivos compartilhados da nossa geração são claros", disse o príncipe, neto da rainha Elizabeth II, em mensagem de vídeo na abertura do evento, chamado Countdown (Contagem Regressiva). "Juntos, devemos proteger e recuperar a natureza, limpar nosso ar, construir um mundo livre de lixo e arrumar nosso clima."

O evento, transmitido de forma gratuita, discutiu as formas como os danos ao meio ambiente também alimentam a injustiça social e racial. "Os negros respiram o ar mais tóxico em relação à população em geral, e são eles que têm mais chances de sofrer com a crise climática", afirmou o membro do parlamento britânico David Lammy.

"Isso dá um novo significado ao slogan 'Não consigo respirar', do movimento Black Lives Matter", assinalou, referindo-se à frase dita por George Floyd antes de morrer asfixiado por um policial americano, em maio passado.

Mais de 65 mil pessoas estavam conectadas quando o ex-vice-presidente americano Al Gore e o ator de 22 anos Jaden Smith abriram uma sessão dedicada às vozes jovens e à necessidade de que as empresas adotem soluções climáticas.

A economista americana Rebecca Henderson citou as empresas que fazem fortunas com combustíveis fósseis e outras operações que emitem gases do efeito estufa e causam danos sem assumirem nenhuma responsabilidade, segundo ela, enquanto canalizam dinheiro para políticos que ajudam a manter esta situação.

"Deixamos que o capitalismo se converta em algo monstruoso", criticou a economista. "Vai ser difícil manter viva a livre empresa se a maioria das pessoas acreditam que os ricos e os brancos destroem o planeta em benefício próprio", assinalou, pedindo às empresas que intensifiquem seus esforços.

O diretor do TED, Chris Anderson, destacou o papel da ciência: "Se existe algo que certamente devemos aprender este ano é que, quando os cientistas avisam que algo terrível se aproxima, devemos prestar atenção."

O Countdown teve como enfoque principal as ações que podem ajudar a deter as mudanças climáticas, indicaram os organizadores. O prefeito de Freetown, Serra Leoa, por exemplo, citou um projeto local para plantar 1 milhão de árvores a fim de evitar inundações e absorver dióxido de carbono.

O evento buscou mobilizar governos e cidadãos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa pela metade na próxima década. Entre os oradores, estavam a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a jovem ativista mexicana Xiye Bastida e o ator Chris Hemsworth.

Centenas de eventos "TEDx" menores foram realizados simultaneamente no mundo para fomentar ações locais. Também foram divulgadas mensagens de cidadãos, que contaram, por exemplo, como abandonaram as sacolas de plástico, começaram a separar o lixo ou conscientizaram-se de seus desperdícios.

Tema politizado
Alguns líderes mundiais se ocuparam do tema das mudanças climáticas para obter benefícios políticos. Christiana Figueres, ex-secretária-executiva da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, advertiu que o tema se tornou um instrumento político.

Secas, inundações, incêndios e outros desastres naturais vinculados às mudanças climáticas, no entanto, ignoram questões políticas, assinalou Christiana. "As democracias têm uma forma de mudar lideranças. Trata-se da responsabilidade com a raça humana: o que nos une, não o que nos divide."

O ator Mark Ruffalo, que ajudou a organizar o evento, que se prolongou por cinco horas, disse que aqueles que se negam a encontrar soluções climáticas "serão os que iremos ver que se negam a responder à realidade da pandemia de forma científica", ambos grandes questionamentos ao governo americano.