No último sábado, manifestantes incendiaram parcialmente a sede do Congresso guatemalteco durante um protesto contra a aprovação de um orçamento que não contempla aumentos nos benefícios sociais e prevê um forte endividamento público - Johan Ordonez/AFP
No último sábado, manifestantes incendiaram parcialmente a sede do Congresso guatemalteco durante um protesto contra a aprovação de um orçamento que não contempla aumentos nos benefícios sociais e prevê um forte endividamento públicoJohan Ordonez/AFP
Por AFP
Centenas de guatemaltecos voltaram a protestar no domingo para exigir a renúncia do presidente conservador Alejandro Giammattei, criticado por não destinar recursos suficientes à luta contra a pobreza e a desigualdade em seu novo orçamento.
"Prefiro morrer como rebelde que viver como escravo" e "Fora Giammattei", afirmavam alguns cartazes de manifestantes na capital do país, diante da antiga sede do governo.
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Os protestos de domingo transcorreram de forma pacífica, um dia depois de um incêndio na sede do Congresso durante um protesto contra a aprovação de um orçamento que não contempla aumentos nos benefícios sociais e prevê um forte endividamento público.
O presidente divulgou um comunicado no qual critica as manifestações violentas. Ele citou grupos "minoritários que buscam forçar um verdadeiro golpe de Estado" e anunciou que seu governo invocou a Carta Democrática Interamericana da OEA, um instrumento do organismo supranacional com capacidade para sancionar ou adotar medidas adequadas para garantir o respeito da ordem constitucional dos países.
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Giammattei defendeu no comunicado conversas com diferentes setores para examinar a situação, pois "só através do diálogo e da concentração (...) nosso país será capaz de superar os desafios que enfrenta hoje".
A Universidade de San Carlos, a única estatal do país, convocou uma paralisação nacional para segunda-feira e o Comitê de Desenvolvimento Camponês (Codeca) anunciou que bloqueará estradas importantes do país.
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O vice-presidente, Guillermo Castillo, que na sexta-feira sugeriu a Giammattei uma renúncia conjunta "pelo bem do país", pediu no domingo ao Ministério Público que investigue o incêndio no Congresso, assim como a repressão policial.
Se os dois renunciassem, o Congresso teria que dar posse como chefe de Estado ao chanceler Pedro Brolo.
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O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos criticaram o orçamento e a violência contra os manifestantes, depois de condenar os incidentes do Congresso.
O país, onde há vários casos e denúncias de corrupção assim como demoras na designação de juízes, já vivenciou em 2015 a renúncia do então presidente Otto Pérez em meio a um caso de fraude alfandegária.
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Além da rejeição ao novo orçamento, a indignação também diz respeito à opacidade na gestão dos recursos utilizados para enfrentar a pandemia de coronavírus, assim como a rejeição à criação de um superministério liderado por um jovem próximo ao presidente.
O Congresso aprovou empréstimos de mais de 3,8 bilhões de dólares para atender a pandemia, mas apenas 15% desses recursos chegou aos guatemaltecos.
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A gestão da crise de saúde por parte de Giammattei, um médico de 64 anos, tem sido duramente criticada por seu vice-presidente, pela oposição e setores sociais que denunciam carências nos hospitais e dificuldades para atender os grupos afetados pelos confinamentos.
Segundo dados oficiais, a covid-19 deixou quase 120.000 casos e mais de 4.000 mortos neste país de 17 milhões de habitantes.
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Congresso suspende orçamento
Congresso da Guatemala suspendeu na madrugada desta segunda-feira o polêmico orçamento para o próximo ano, depois que a aprovação do mesmo provocou muitos protestos, informou o presidente do organismo, o governista Allan Rodríguez.
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"Com o objetivo de manter a governabilidade do país e a paz social, concordamos em suspender o trâmite do orçamento de receitas e despesas do Estado e do Organismo Legislativo 2021", afirmou o parlamentar em uma mensagem à nação.