Trabalhadores fecharam estradas importantes no Peru, paralisando veículos de transporte de mercadorias e de passageiros, em manifestações por demandas trabalhistas - Celso Roldan / AFP
Trabalhadores fecharam estradas importantes no Peru, paralisando veículos de transporte de mercadorias e de passageiros, em manifestações por demandas trabalhistasCelso Roldan / AFP
Por AFP
Os bloqueios de estrada por demandas trabalhistas se estenderam, nesta sexta-feira (4), para uma segunda estrada vital do Peru, paralisando mais veículos de transporte de mercadorias e de passageiros.
Trabalhadores de uma fundição de minerais interromperam o tráfego na Rodovia Central em La Oroya, uma cidade mineira localizada 175 km a leste de Lima e 3.750 metros acima do nível do mar.
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"A Rodovia Central está totalmente bloqueada", noticiou o Canal N, que mostrou imagens de pneus em chamas e rochas nesta via que liga a capital ao planalto central do país.
O Complexo Metalúrgico Doe Run Peru está em processo de liquidação, o que pode deixar cerca de 2.500 desempregados em La Oroya, segundo a mídia local. Os trabalhadores querem que o governo lhes transfira a empresa para retomarem a produção e salvarem seus empregos.
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A Rodovia Central foi fechada pelos operários após cinco dias de bloqueios da Rodovia Pan-Americana nas regiões agrícolas de La Libertad (norte) e de Ica (sul), por parte de trabalhadores de empresas agroexportadoras. Estes últimos exigem melhores salários, entre outras demandas.
Um trabalhador rural de 19 anos morreu na quinta-feira (3), após ser baleado em Virú (La Libertad), 490 km ao norte de Lima, enquanto a polícia tentava liberar a Pan-Americana, no primeiro conflito trabalhista sob o novo governo de Francisco Sagasti.
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Os bloqueios começaram na segunda-feira (30) em Ica, 250 quilômetros ao sul de Lima, onde centenas de caminhões e ônibus permanecem parados na Pan-Americana. A estrada cruza o país de norte a sul, da fronteira equatoriana à chilena.
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O Ministério da Saúde informou que houve 44 feridos, na quinta-feira (3), em distúrbios na Rodovia Pan-Americana. Foram 37 em Ica, e sete, em La Libertad.
Os trabalhadores rurais reivindicam melhorias salariais, assim como a revogação da Lei de Promoção Agrária de 2000. Eles alegam que a legislação os priva de direitos, além de limitar sua renda.
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A vigência dessa lei, que concede benefícios fiscais às empresas, foi prorrogada há um ano até 2031, mas pode ser revogada nesta sexta-feira pelo Congresso. Essa possibilidade disparou o alarme dos agroexportadores do Peru, que faturam cerca de US$ 5 bilhões anuais.
Segundo esta legislação, o salário diário dos trabalhadores agrícolas é de US$ 11. O texto não especifica uma jornada máxima de trabalho, mencionando apenas um mínimo de quatro horas. Os trabalhadores exigem US$ 18 por dia e outros benefícios.