Por AFP
Londres, Reino Unido - A recessão causada pela pandemia pode levar até dois milhões de famílias à extrema pobreza no Reino Unido, segundo projeções da Universidade Heriot Watt para a ONG Trussel Trust.

Mesmo antes do surgimento da covid-19, em 2019, mais de 2,4 milhões de pessoas - o equivalente a um milhão de famílias - viviam privadas do mais básico, entre elas meio milhão de crianças, um aumento de 54% em relação a 2017, segundo outro estudo da mesma universidade para a Fundação Joseph Rowntree.

Embora entre as pessoas mais afetadas estejam aquelas sem casa ou vítimas de vícios, 81% delas não pertencem a nenhum desses dois grupos e 14% têm trabalho.

As famílias monoparentais são as que correm mais risco, assim como as pessoas com problemas de saúde crônicos ou deficiência, diz o estudo.

"O Reino Unido deveria ser um país no qual todos tenham a oportunidade de uma vida saudável, decente e segura (...), mas em vez disso muitas pessoas vivem na extrema pobreza" e "não podem se permitir o essencial para comer, proteger-se do frio e da chuva e manter-se limpos", denunciou a Fundação Joseph Rowntree em um comunicado.

A recessão histórica provocada pela pandemia e as medidas restritivas ameaçam agravar a situação devido ao aumento do desemprego e poderiam deixar dois milhões de famílias, incluindo um milhão de crianças, na extrema pobreza.

"Com os sinais de aumento dos níveis de endividamento das famílias em dificuldades devido à covid-19, teme-se que a pandemia tenha levado mais gente à beira do abismo", alerta a fundação.