Primeira-ministra alemã, Angela Merkel  - AFP
Primeira-ministra alemã, Angela Merkel AFP
Por AFP
Berlim - A Alemanha, que registrou nesta quarta-feira um recorde de mortes vinculadas à covid-19, está "ainda muito longe" de voltar à normalidade, alertou o governo antes de aplicar novas restrições.
Por muito tempo considerada como "boa aluna" europeia na gestão da pandemia, a Alemanha conta agora com uma "taxa de infecção e de mortalidade [que] mostram que ainda estamos longe da normalidade", lamentou o ministro da Saúde, Jens Spahn.
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Nas últimas 24 horas foram detectados 22.459 novos casos. Os contágios quase não diminuíram em uma semana (24.740 em 23 de dezembro).
O país superou os 1.000 óbitos, com um total de 1.129 mortes documentadas nesta quarta-feira, segundo o instituto Robert Koch.
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Novas restrições
O recorde anterior no número de mortos era da quarta-feira da semana passada (23), com 962 falecidos. No total, 32.107 pessoas perderam a vida pelo coronavírus na Alemanha desde o início da pandemia.
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A situação é particularmente crítica na Saxônia, estado federal na área da ex-Alemanha Oriental que durante muito tempo resistiu às restrições e cuja taxa de incidência atingiu 330 casos a cada 100.000 habitantes nos últimos sete dias.
Baviera, Berlim ou Brandeburgo, a região ao redor da capital, também não conseguiu controlar a pandemia.
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O atual confinamento parcial deve ser prolongado para depois de 10 de janeiro, com o fechamento de todos os comércios não essenciais, das escolas, e uma recomendação para privilegiar o trabalho remoto a qualquer custo.
Angela Merkel, que na quinta-feira fará o seu último discurso de felicitações de Ano Novo como chanceler, e os líderes dos 16 estados da Federação, discutirão em 5 de janeiro por videoconferência uma eventual prorrogação das medidas.
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As festas de fim de ano também serão reduzidas para a capacidade mínima: estará proibida a venda de fogos de artifício e as reuniões.
A Alemanha aposta em uma campanha dinâmica de vacinação, começando pelas casas de repouso, antes de implementar grandes centros que possam administrar diariamente a vacinação de vários milhares de pessoas.

"Mais de 60 mil" pessoas vacinadas

O governo enfrenta críticas, apesar do início no sábado de uma campanha que permitiu a vacinação de mais de 60.000 pessoas.

O Bild, jornal mais lido na Alemanha, atacou especialmente a equipe da chanceler por ter "contado demais com a União Europeia" para fazer o pedido das doses e ter privilegiado apenas a vacina da Pfizer-BioNTech, em detrimento do produto da Moderna.

Na ausência de uma reserva suficiente de doses, o maior centro de vacinação de Berlim fechou na terça-feira apenas dois dias após sua abertura.

"Mais de 60.000 alemães já foram vacinados. O início da vacinação foi um sucesso", defendeu o ministro da Saúde. "Sim, há dificuldades, mas a maior campanha de vacinação da história começou com sucesso", insistiu.

A Alemanha conta, segundo Spahn, com mais de 130 milhões de doses das vacinas BioNTech e da Moderna.