Até agora, Bolsonaro e Biden não conversaram pelo telefone - algo que o presidente americano já fez com aliados próximos, como os presidentes do México e Canadá, e também adversários, como Vladimir Putin - AFP
Até agora, Bolsonaro e Biden não conversaram pelo telefone - algo que o presidente americano já fez com aliados próximos, como os presidentes do México e Canadá, e também adversários, como Vladimir PutinAFP
Por AFP
EUA - O governo Joe Biden comunicou ao Afeganistão sua vontade de rever o acordo assinado em fevereiro passado pelos Estados Unidos com o talibã, principalmente para "avaliar" o respeito dos rebeldes islamitas aos compromissos assumidos.
O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, telefonou esta manhã para o colega afegão, Hamdullah Mohib, a fim de expressar "o desejo dos Estados Unidos de que todos os líderes afegãos aproveitem esta ocasião histórica de paz e estabilidade".
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Sullivan também "manifestou claramente a intenção dos Estados Unidos de reexaminarem o acordo de fevereiro de 2020 com o talibã, para, em particular, avaliar se este último honrou o compromisso de cortar todos os vínculos com grupos terroristas, reduzir a violência e manter negociações sérias com o governo afegão e outros atores", informou sua porta-voz.
Estes comentários foram recebidos com alívio pelas autoridades afegãs, que aguardavam ansiosamente a posição do novo governo dos Estados Unidos sobre o tema.
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"Decidimos continuar trabalhando por um cessar-fogo e por uma paz justa e duradoura em um Afeganistão democrático, capaz de preservar as conquistas das últimas duas décadas", tuitou Mohib.
"Continuaremos as negociações nos próximos dias e semanas", acrescentou. Já o vice-ministro do Interior, Sediq Sediqqi, aproveitou as declarações de Sullivan para criticar o acordo entre Estados Unidos e os talibãs.
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"O acordo não conseguiu, até o momento, acabar com a violência dos talibãs e obter um cessar-fogo", afirmou no Twitter.
"Os talibãs não estiveram à altura de seus compromissos", completou.
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Os talibãs disseram, por sua vez, que estão dispostos a continuar respeitando seus compromissos no âmbito do pacto firmado com Washington.
"Esperamos que o outro lado também se comprometa a respeitar o acordo", declarou à AFP o porta-voz do braço político do grupo, Mohammad Naeem.
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Na terça-feira passada, o futuro secretário de Estados americano, Antony Blinken, já havia indicado que o novo governo democrata pretende reavaliar o acordo e considerou "indispensável para preservar os avanços obtidos em favor das mulheres e meninas no Afeganistão nos últimos 20 anos".
O governo de Donald Trump fechou um acordo histórico com o talibã após 19 anos de guerra, que prevê a retirada total das forças americanas a partir de meados de 2021 em troca do compromisso dos rebeldes de não deixarem grupos terroristas agir nas áreas que controlam.
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O acordo também dispõe o início das primeiras conversas de paz diretas entre os talibãs e as autoridades de Cabul. Iniciadas em setembro, elas ainda não alcançaram resultados concretos, principalmente em relação à redução da violência.
O Afeganistão também foi um dos temas centrais do primeiro telefonema entre o novo secretário de Defesa americano, Lloyd Austin, e o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, informou o Pentágono.
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No último dia 15, o governo Trump reduziu a 2,5 mil o contingente militar dos Estados Unidos no Afeganistão, o número mais baixo desde 2001.