O opositor Alexei Navalny enfrenta vários julgamentos abertos desde seu retorno da Alemanha à Rússia - AFP
O opositor Alexei Navalny enfrenta vários julgamentos abertos desde seu retorno da Alemanha à RússiaAFP
Por AFP
Moscou - A Justiça russa decidiu nesta quinta-feira (28) manter preso o opositor Alexei Navalny, que denunciou um ato "arbitrário" que busca "intimidar todo mundo", três dias antes de novas manifestações na Rússia.

Esta decisão acontece horas depois da prisão de vários de seus familiares e um dia depois de uma série de buscas em residências de pessoas próximas a ele e estabelecimentos de seu Fundo de Combate à Corrupção.

Um tribunal de Krasgonorsk, perto de Moscou, estimou que era legítima a detenção prevista até 15 de fevereiro, decretada por outro tribunal depois de seu retorno a Moscou em 17 de janeiro, constatou uma jornalista da AFP.

O opositor de 44 anos, que compareceu por videoconferência, denunciou uma "flagrante violação da lei", um ato "arbitrário" que busca "intimidá-lo e intimidar todo mundo".

"Os juízes são apenas escravos obedientes desta gente que roubou nosso país, que nos roubou durante 20 anos e que quer silenciar pessoas como eu", acrescentou o ativista anticorrupção e inimigo jurado do Kremlin.

A advogada Olga Mikhailova, para quem os processos abertos buscam "excluir" seu cliente da vida política russa, anunciou à imprensa que vai recorrer da decisão, embora "sem grandes esperanças".

A equipe de Navalny pediu aos russos para irem novamente às ruas em todo o país no próximo domingo, depois que os primeiros protestos no fim de semana passado culminaram em 4.000 detidos pela polícia.

O opositor enfrenta vários julgamentos abertos desde seu retorno da Alemanha à Rússia. Navalny passou cinco meses na Alemanha se recuperando de um envenenamento em agosto que ele atribui a Putin e aos serviços de segurança FSB.

Prisões e buscas
O irmão do opositor, Oleg Navalny, e sua aliada e figura emergente do movimento, Liubov Sóbol, foram detidos nesta quinta-feira e permanecerão presos por 48 horas por "violar as normas sanitárias" em vigor pela pandemia durante as manifestações.

O advogado de Sóbol, Vladimir Voronin, denunciou no Twitter "um completo delírio e arbitrariedade".

Maria Aliokhina, membro do grupo de protesto Pussy Riot, também foi detida por 48 horas pelo mesmo motivo, afirmou sua companheira Nadezhda Tolokónnikova no Instagram.

Anastasia Vasilieva, chefe de um sindicato de médicos parcialmente ligado a Navalny, sofreu o mesmo destino, segundo Zhdánov, assim como outros colaboradores do opositor do Kremlin.

Um vídeo divulgado pela imprensa e nas redes sociais mostrava Vasilieva tocando piano em sua casa, enquanto os investigadores revistavam seu apartamento.

Na quarta-feira, a polícia fez uma busca também nas casas da esposa de Navalny, Yulia, de seu irmão Oleg e de sua porta-voz Kira Yarmysh, condenada na sexta passada a nove dias de prisão, bem como as instalações de sua organização.

As autoridades abriram cerca de 20 investigações, em particular por chamados a distúrbios, violência contra a polícia, ou incitação de menores a cometerem atos ilegais.

O órgão de monitoramento do setor de Telecomunicações Roskomnadzor anunciou que multaria as redes sociais em até 4 milhões de rublos (US$ 63.500) por não apagarem as convocações incitando os menores a irem às ruas.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, defendeu, nesta quinta-feira, que as forças da ordem "estão fazendo seu trabalho" e enfatizou que "houve várias violações da lei" nos protestos de sábado.

Os apoiadores de Navalny convocaram novos protestos para o domingo e esperam aproveitar o sucesso de uma investigação da oposição sobre um suposto palácio de Putin às margens do Mar Negro.

Segundo sua advogada, o opositor enfrenta "cerca de dois anos e meio" de prisão por violar os termos de uma condenação de 2014 a três anos e meio de prisão com suspensão de pena.