Anvisa tem sofrido pressão para aprovação de vacinas como a Sputnik V - AFP
Anvisa tem sofrido pressão para aprovação de vacinas como a Sputnik VAFP
Por AFP
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou neste domingo (31) que a AstraZeneca deve entregar 40 milhões de doses de sua vacina contra a covid-19 à UE no primeiro trimestre - 30% a mais do que o esperado.

A empresa, que gerou forte descontentamento entre os líderes europeus sobre os atrasos de produção registrados, "começará as entregas uma semana antes do previsto" e "também expandirá sua capacidade de fabricação na Europa", disse Von der Leyen no Twitter.

A dirigente, que conversou no domingo com os presidentes de empresas com as quais a União Europeia (UE) fechou contratos de vacinas anticovid, afirmou ainda, em entrevista à rede alemã ZDF, que a UE pretende vacinar 70% dos adultos antes do "fim do verão" no hemisfério norte.

As entregas vão começar "a priori na segunda semana de fevereiro", informou uma fonte europeia.

Mas, apesar de tudo, Von der Leyen admitiu que os meses de fevereiro e março continuarão sendo uma "fase difícil" quanto ao fornecimento de vacinas na UE.

No segundo trimestre, a vacina do laboratório Johnson & Johnson chegará ao mercado "e os fabricantes terão resolvido suas dificuldades do início, e portanto poderemos esperar mais vacinas", afirmou a presidente da Comissão Europeia.

A AstraZeneca, cujo imunizante foi autorizado pela UE na sexta-feira, havia anunciado que entregaria ao bloco 75% menos doses do que o inicialmente pedido para o primeiro trimestre. A empresa alegou uma "queda no desempenho" em uma fábrica europeia para justificar os atrasos.

A Comissão Europeia considerou a explicação "insatisfatória", o que levou a instituição a solicitar uma inspeção - realizada na quinta-feira - na fábrica em questão, localizada na Bélgica e administrada por um terceirizado do grupo.

Em entrevista a alguns meios de comunicação, o presidente da AstraZeneca, Pascal Soriot, garantiu, ainda, que a produção das fábricas localizadas no Reino Unido deve ser reservada aos britânicos.

Bruxelas criticou duramente este argumento, apontando que a utilização de fábricas britânicas para o fornecimento de vacinas na União Europeia “não é uma opção, é uma obrigação contratual”, segundo um alto funcionário europeu.

No domingo, a Alemanha ameaçou iniciar uma ação legal contra os laboratórios que não "respeitam suas obrigações" de entregar vacinas à UE.

A AstraZeneca assinou um contrato com Bruxelas em agosto para a encomenda de um total de 400 milhões de doses. O documento foi publicado pela Comissão Europeia, mas sem vários parágrafos considerados "confidenciais".

A empresa "se comprometeu a empenhar todos os esforços possíveis para produzir 300 milhões de doses da vacina, sem lucrar ou registrar perdas", diz o texto, que também menciona que a UE poderá solicitar 100 milhões de doses suplementares se desejar.