No final de dezembro, a República Islâmica deu início aos testes clínicos de sua primeira vacina
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No final de dezembro, a República Islâmica deu início aos testes clínicos de sua primeira vacina Reprodução internet
Por AFP
Berlim - Uma cúpula de combate à covid-19 começou nesta segunda-feira (1º) em Berlim presidida por Angela Merkel, ao mesmo tempo em que cresceram as críticas contra seu governo e a União Europeia por causa da lentidão nas vacinações.

O ministro da Saúde, Jens Spahn, alertou para que não se espere um milagre desta reunião que reúne chefes de governo regionais, representantes da UE e grupos farmacêuticos.

"Uma cúpula não produzirá mais vacinas por si mesma", declarou.

No entanto, as discussões começaram com notícias positivas, com o compromisso de vários laboratórios em acelerar a produção de vacinas.

O laboratório alemão BioNTech prometeu nesta segunda-feira entregar à UE até 75 milhões de doses da vacina desenvolvida com a americana Pfizer no segundo trimestre. Os dois sócios esperam "aumentar a oferta a partir da semana de 15 de fevereiro".

Pouco depois, a gigante farmacêutica alemã Bayer garantiu que produzirá a partir de 2022 a vacina contra o coronavírus que a empresa desse mesmo país está desenvolvendo, a CureVac, atualmente "em processo de certificação", segundo o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn.

A meta da empresa é produzir 160 milhões de doses em 2022. Essas capacidades se somam à produção da rede existente da CureVac de 300 milhões de doses neste ano e 1 bilhão em 2022, explicou Franz-Werner Haas, presidente da CureVac.

Na véspera, a presidente da Comissão Europeia Ursula Von der Leyen indicou que o laboratório anglo-sueco AstraZeneca, que tem causado forte indignação entre os líderes europeus por causa dos atrasos de produção, vai finalmente aumentar em 30% as entregas de sua vacina no primeiro trimestre, imunizante autorizado na sexta-feira nos mercados europeus.

A empresa "fornecerá 9 milhões de doses suplementares", ou seja, 40 milhões de doses no total, e "começará as entregas uma semana antes do planejado", anunciou Van der Leyen.

"Fracasso" da UE 
O objetivo é tentar acelerar a campanha de vacinação, que avança lentamente na Alemanha e em muitos outros países europeus.

A imprensa alemã criticou sem piedade a UE nesta segunda-feira, acusada de ter encomendado as vacinas tarde demais e de ter negociado mal, especialmente com a AstraZeneca.

A Europa atualmente tem um saldo vacinal menor do que o Reino Unido, e os apoiadores do Brexit veem isso como uma confirmação da boa decisão do país em ter deixado a UE.

É "uma declaração de fracasso para Bruxelas, um teste da incapacidade dos 27 Estados-membros", critica o jornal popular alemão Bild.

"Como você pode, na crise mais grave desde a Segunda Guerra Mundial, descuidar tanto do fornecimento de vacinas?", questiona por sua vez Der Spiegel.

Ursula von der Leyen está especialmente sob a mira da maioria, e alguns, como o AfD, partido de extrema-direita alemão, exigem que ela renuncie.

Von der Leyen "recebeu um duro golpe, mas não acho que vá renunciar", estima uma fonte diplomática europeia.

"Ninguém sabia dos problemas de abastecimento até muito recentemente. Não podemos culpar apenas a Comissão Europeia", afirmou outra fonte.