A atual bula do imunizante não recomenda a aplicação em grávidas sem orientação médica individual.
A atual bula do imunizante não recomenda a aplicação em grávidas sem orientação médica individual. AFP
Por AFP
O laboratório AstraZeneca defendeu nesta segunda-feira (22) sua vacina anticovid, rejeitada por partes da Europa, afirmando que tem uma eficácia de 100% para prevenir as formas graves da doença e não aumenta o risco de coágulos sanguíneos, após testes clínicos realizados nos Estados Unidos.
Esta vacina é mais barata e fácil de armazenar do que muitas de suas concorrentes, mas seu uso foi questionado quando vários países europeus e de outras partes do mundo suspenderam sua distribuição na semana passada por casos isolados de coágulos sanguíneos.
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As campanhas de vacinação são vistas como fundamentais na luta para acabar com uma pandemia que deixa mais de 2,7 milhões de mortos desde que surgiu na China no final de 2019.
Também são o caminho mais provável para acabar com os confinamentos e as restrições que continuam paralisando as economias dos países e que geram, como em várias cidades europeias neste fim de semana, protestos de cidadãos fartos das medidas restritivas.
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A agência reguladora europeia e a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmaram que a injeção da vacina desenvolvida pela anglo-sueca AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford é segura e que não há evidências de riscos sobre a formação de coágulos. Ambos os anúncios levaram França e Alemanha a retomarem as vacinações.
A confiança pública no imunizante entrou, porém, em colapso. A maioria dos entrevistados nos principais países europeus - incluindo Alemanha, França, Espanha e Itália - desconfiam da segurança da vacina da AstraZeneca, segundo uma pesquisa do YouGov realizada entre 12 e 18 de março.
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O laboratório ofereceu novas garantias nesta segunda-feira, destacando que os ensaios em mais de 32.000 pessoas nos Estados Unidos mostraram que a vacina é 79% eficaz para prevenir a covid-19 sintomática na população, e em 100%, para evitar as formas graves da doença e a hospitalização, além de não aumentar os riscos de coágulos sanguíneos.
É 80% eficaz para os maiores de 65 anos, segundo o laboratório. Vários países suspenderam a administração da vacina em idosos, devido à falta de dados entre os participantes de idade avançada nos ensaios anteriores.
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"Esta análise reconhece a vacina da AstraZeneca contra a covid-19 como uma das opções de vacinação que são tão necessárias", disse Ann Falsey, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Rochester e uma das pesquisadoras que conduziram os testes.
"Vacinação 2021!"
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Mais de 430 milhões de doses já foram injetadas no mundo, 25% delas somente nos Estados Unidos.
Os Estados Unidos continuam sendo o país mais afetado pela doença, mas a aceleração da campanha de vacinação criou a ilusão de que a pandemia está sob controle, especialmente em Miami, onde os estudantes se reúnem em massa nas ruas para comemorar as férias da primavera boreal (outono no Brasil).
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"Vacinação 2021! Ponto!", disse à AFP Jalen Rob, um estudante que celebrava as férias na praia.
No entanto, o imunologista Anthony Fauci, conselheiro da Casa Branca, pediu cuidado sob a pena de se ter de lidar com um aumento de casos.
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As aglomerações também são uma dor de cabeça para as autoridades europeias: manifestantes vão às ruas para protestar contra as restrições na Alemanha, Holanda, Áustria e Bélgica.
Em Marselha, cerca de 6.500 pessoas - em sua maioria jovens e sem máscaras - participaram de um desfile de carnaval, desafiando a proibição das aglomerações neste porto francês no Mediterrâneo.
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"Nada justifica arruinarmos nossos esforços coletivos para manter o vírus sob controle", disse o prefeito de Marselha, Benoît Payan, que afirmou estar "indignado" com o evento.
As autoridades indianas enfrentam um desafio ainda maior diante da celebração durante um mês de um festival hindu que atraiu mais de três milhões de peregrinos em um dia neste mês.
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"Na reta final"
Apesar da distribuição das vacinas, a terceira onda de covid-19 continua implacável, com uma aceleração dos contágios. Na semana passada, a média foi de 465.300 novos casos por dia no mundo. Com exceção da África e do Oriente Médio, todas as regiões registraram aumentos: Ásia +34%, Europa +18%, Estados +15% e América Latina e Caribe +5%.
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A Alemanha, motor da economia europeia, prepara-se para prolongar as restrições e endurecer um confinamento parcial até abril, segundo um rascunho do plano, ao qual a AFP teve acesso.
No Brasil, o segundo país com mais mortes atrás dos Estados Unidos com 294.042 mortes e mais de 11,9 milhões de casos, o Rio de Janeiro decidiu fechar suas praias neste fim de semana, enquanto São Paulo implementou restrições e antecipou feriados.
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Já o presidente da vizinha Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou prolongar o confinamento durante a Semana Santa para frear o avanço da variante brasileira do coronavírus.
Ainda assim, os políticos e os laboratórios continuam apresentando perspectivas otimistas.
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O órgão por trás da vacina russa Sputnik anunciou nesta segunda-feira um acordo com o grupo farmacêutico indiano Virchow Biotech para produzir 200 milhões de doses.
O comissário europeu Thierry Breton sugeriu que todo continente pode ter imunidade até 14 de julho.
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"Estamos na reta final (...). As vacinas estão chegando", disse ele, em meio a uma ofensiva da UE, devido aos atrasos da AstraZeneca na entrega de suas doses.