O imunizante russo Sputnik V
O imunizante russo Sputnik VAFP / Olga MALTSEVA
Por AFP
Prometendo que se vacinará na terça-feira (23), o presidente russo Vladimir Putin denunciou nesta segunda as "estranhas" declarações de um responsável europeu que afirmou que a Europa não precisa do imunizante russo contra a covid-19.
Uma nova troca de declarações que ilustra as tensões em torno da homologação da vacina Sputnik V na União Europeia, depois que a Rússia acusou Bruxelas de desacelerar o processo propositalmente.
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Durante uma reunião telemática sobre a vacinação, transmitida pela televisão, o presidente russo descartou as críticas expressas no dia anterior pelo comissário europeu Thierry Breton.
"Não forçamos ninguém a fazer nada (...) mas nos perguntamos sobre os interesses que estas pessoas defendem, os das empresas farmacêuticas ou dos cidadãos europeus?", afirmou Putin.
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Além disso, o presidente russo, de 68 anos, afirmou que tem "a intenção" de se vacinar na terça-feira, um anúncio esperado há muito tempo, já que em dezembro ele disse que estava pensando no assunto.
No entanto, Putin não esclareceu se vai se vacinar com a Sputnik V, a primeira vacina desenvolvida pela Rússia, que anunciou que criou outros dois imunizantes.
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Atitude "de confronto" da UE
No dia anterior, o comisário europeu do Mercado Interno, Thierry Breton, disse que a Europa "não precisa" da vacina russa, em declarações à emissora francesa TF1.
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"A Sputnik V é uma vacina complementar, temos 350 milhões de doses", declarou o comissário europeu, acrescentando que "os russos têm dificuldades para fabricá-la e (que) sem dúvida terá que ajudá-los".
"Se for preciso fornecer uma ou duas fábricas para produzi-la, por que não?", disse.
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Nesta segunda-feira, um porta-voz da Comissão Europeia, Eric Mamer, destacou que não há nenhuma negociação para comprar doses da Sputnik V, mas que "a porta não se fechou para sempre".
Por outro lado, nesta segunda durante uma conversa telefônica com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, Vladimir Putin denunciou a atitude "de confronto" da UE com a Rússia.
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Essa conversa aconteceu antes da cúpula que a UE realizará na quinta e sexta-feira, na qual pode aprovar novas sanções contra Moscou por violações dos direitos humanos.
Os ocidentais enxergam com receio a diplomacia da Rússia baseada na vacina anticovid, apesar de a Sputnik V parecer ter convencido os especialistas independentes. Em fevereiro, a revista científica The Lancet confirmou sua eficácia.
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A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) está estudando um pedido de homologação da vacina, e um grupo de seus especialistas visitará a Rússia em 10 de abril para analisar os ensaios clínicos efetuados, disse o ministro russo da Saúde, Mikhail Murashko.
No início de março, a presidente do conselho de direção da EMA, Christa Wirthumer-Hoche, "desaconselhou" os países membros da UE a autorizar o uso emergencial da Sputnik V, alegando que não havia dados suficientes disponíveis sobre sua eficácia, enquanto vários países europeus (Hungria, Eslováquia e República Tcheca) encomendaram lotes do imunizante russo.
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Em meados de março, o Kremlin também acusou os Estados Unidos de realizar uma campanha para que outros países, como o Brasil, não usem a Sputnik V.
Nesta segunda-feira, Vladimir Putin afirmou que 4,3 milhões de russos foram completamente vacinados, um número modesto para uma população de 146 milhões de habitantes.
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Além de exportar a vacina, a Rússia quer assinar acordos de produção no exterior, para reservar suas capacidades de abastecimento da população russa. Nos últimos dias, assinou três acordos para produzir 652 milhões de doses da Sputnik V na Índia.
Segundo o Fundo Soberano Russo (RDIF), que financiou parcialmente o desenvolvimento da Sputnik V, a vacina foi autorizada em 55 países, por uma população total de 1,4 bilhão de pessoas.