George Floyd foi morto asfixiado por um policial em Minnesota, nos Estados Unidos
George Floyd foi morto asfixiado por um policial em Minnesota, nos Estados UnidosReprodução Facebook
Por AFP
Minneapolis - Um especialista em pneumologia afirmou nesta quinta-feira (8), durante o julgamento da morte de George Floyd, que a vítima morreu por falta de oxigênio e que o joelho do policial Derek Chauvin ficou em seu pescoço durante "mais de 90% do tempo" em que ele esteve algemado de bruços na rua.

O pneumologista Martin Tobin disse ao júri que acompanha o processo contra o ex-policial Derek Chauvin, acusado de assassinato e homicídio culposo, que assistiu a vídeos da prisão de Floyd em 25 de maio de 2020 "centenas de vezes".

"Floyd morreu por baixo nível de oxigênio", garantiu. "Isso causou danos a seu cérebro", acrescentou ele, e arritmia, um batimento cardíaco irregular, que fez seu "coração parar", explicou Tobin aos jurados, nove mulheres e cinco homens, que julgam o caso no tribunal de Minneapolis, no estado americano de Minnesota.

Chauvin, um homem branco de 45 anos, aparece no vídeo gravado por uma testemunha ajoelhado sobre o pescoço de Floyd por mais de nove minutos, enquanto o afro-americano de 46 anos reclamava repetidamente que não conseguia respirar. A filmagem correu o mundo e gerou uma onda de protestos contra a injustiça racial e a brutalidade policial.

De acordo com Tobin, a respiração de Floyd foi enfraquecida porque ele estava de bruços na rua, algemado e com Chauvin e outros policiais em seu pescoço e suas costas.

Eric Nelson, o advogado de defesa de Chauvin, sugeriu várias vezes durante o julgamento que o peso do corpo de Chauvin estava na verdade no ombro de Floyd e às vezes nas costas, mas não no pescoço.

O médico não concordou, porém, com essa teoria. "O joelho do agente Chauvin fica praticamente no pescoço na vasta maior parte do tempo", ressaltou, "mais de 90% do tempo".

Estado de saúde de Floyd não influenciou
Tobin, nascido na Irlanda e estabelecido em Chicago, nos EUA, prestou depoimento como um especialista convocado pela acusação. O médico afirmou que já havia testemunhado em ações judiciais por negligência médica, mas que esse é seu primeiro processo criminal e que não está sendo pago por isso.

Chauvin, que se declara inocente, pode pegar até 40 anos de prisão se for condenado pela acusação mais grave, assassinato em segundo grau. Com 19 anos de carreira no Departamento de Polícia de Minneapolis, o agora ex-agente foi expulso após a morte de Floyd.

Os promotores buscam provar que a morte do afro-americano ocorreu por asfixia, enquanto a defesa de Chauvin alega que as causas foram o uso de drogas ilegais e os problemas de saúde prévios do falecido.

Tobin rejeitou os argumentos da defesa de que condições anteriores contribuíram para a morte. "Uma pessoa saudável submetida ao que Floyd foi submetido teria morrido como resultado do que ele foi submetido", afirmou.

A cientista forense Breahna Giles, em depoimento na quarta-feira, disse que pílulas contendo metanfetamina e fentanil foram encontradas tanto no carro da vítima quanto no da polícia, algumas com vestígios de saliva que correspondiam com o DNA de Floyd.

Vários oficiais do alto escalão da polícia de Minneapolis testemunharam, por sua vez, que Chauvin fez um uso excessivo da força. O chefe da corporação, Medaria Arradondo, declarou na segunda-feira que Chauvin violou as práticas de formação e seus "valores".

Floyd foi preso sob suspeita de tentar pagar uma compra em uma loja próxima com uma nota falsa de 20 dólares. Um paramédico contou ao júri na semana passada que, quando a ambulância chegou, Floyd já estava morto e o ex-policial ainda estava ajoelhado em seu pescoço.

Os policiais raramente são condenados nos Estados Unidos quando são acusados, e qualquer sentença em qualquer uma das acusações contra Chauvin exigirá um veredicto unânime por parte dos jurados.

Três outros ex-agentes da polícia envolvidos na prisão serão julgados separadamente até o fim do ano.