Presidente do México critica ajuda de traficantes no combate à covid-19

López Obrador afirma que o "verdadeiro ato de solidariedade" seria parar com o narcotráfico

Por AFP

O presidente mexicano Andres Manuel López Obrador (C)
O presidente mexicano Andres Manuel López Obrador (C) -
Cidade do México - Os atos de generosidade se multiplicam diante da nova pandemia de coronavírus, mas isso tem limites para o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, que nesta segunda-feira (20) criticou a entrega de alimentos por quadrilhas do crime organizado.

López Obrador disse que esses gestos dos bandidos não servem ao país, atormentado pela violência do narcotráfico, e que o verdadeiro apoio seria não se envolver em atividades criminosas. "Ajudam ao parar com a delinquência, ao amar o próximo e a não prejudicar ninguém. Ajudam ao acabar com os confrontos e mortes", disse o presidente numa entrevista coletiva. "Não se trata de filantropia. Trata-se de fraternidade, verdadeira solidariedade", acrescentou.

O presidente mencionou, assim, a distribuição de alimentos pelos cartéis de drogas, divulgada recentemente pela imprensa local nos estados de Tamaulipas (nordeste) e Jalisco (oeste), onde o Cartel do Golfo e o Cartel Jalisco Nova Geração operam.

Mas também por iniciativa de Alejandrina Guzmán, filha do famoso capo Joaquín "Chapo" Guzmán, que na semana passada distribuiu alimentos e provisões com o nome e a imagem de seu pai para idosos de Jalisco, isolados em suas casas para evitar infecções. 'El Chapo' cumpre pena de prisão perpétua nos Estados Unidos. "Que eles não venham (...) como o potentado que pensa que com uma esmola já está perdoado", disse López Obrador.
O presidente enfatizou que, diante desses casos, as autoridades não podem fazer nada. "É algo que acontece, não pode ser evitado porque eles chegam e entregam". Ele sustentou que seu governo manterá o apoio aos mais vulneráveis por meio de seus diferentes programas sociais para enfrentar a crise econômica e de saúde, surgida com a pandemia da covid-19.
O México registra 8.261 casos confirmados e 646 mortes, segundo o governo.

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