Presidente sírio,  Bashar al-Assad, é reeleito com 88,7% dos votos

Em guerra civil desde o início da "primavera árabe", país vive momentos de tensão e conflitos entre oposição e governistas

Por bruno.dutra

Damasco - O presidente sírio, Bashar al-Assad, foi reeleito para um mandato de sete anos com 88,7% dos votos, segundo anunciou nesta quarta-feira o presidente do parlamento, em uma eleição classificada de "farsa" pela oposição e pelos países ocidentais.

Os outros dois candidatos, Hassan al Nuri e Maher al Hajar, dois desconhecidos, obtiveram, respectivamente, 4,3% e 3,2% dos votos. Esta vitória, anunciada antes do previsto pelo presidente do Parlamento, Mohamad al Laham, certamente estimulará Assad a intensificar seu combate contra a rebelião, após três anos de guerra civil.

A oposição e seus aliados ocidentais denunciaram as eleições, organizadas apenas nas regiões sob controle do regime de Assad. As eleições foram fictícias, afirmou o secretário de Estado americano John Kerry ao chegar a Beirute, em uma visita inesperada. Anteriormente, seu governo havia classificado as eleições de vergonha, enquanto a França as chamava de farsa.

A participação foi de 73,42% segundo a imprensa oficial, o que corresponde a 11,6 milhões de eleitores dos 15,8 milhões que poderiam votar, informou o presidente do Parlamento. "Felicito a Síria pela eleição de seu líder, que conduzirá seu povo à beira da segurança e da estabilidade", comemorou Laham.

Apesar das polêmicas, Assad, de 48 anos, conseguiu, dessa forma, um terceiro mandato de sete anos. Três pessoas morreram, e dezenas ficaram feridas, devido a disparos de comemoração dos partidários do presidente, de acordo com o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rhamane.

A televisão oficial, Al Ijbariya, mostrou cenas de alegria popular, enquanto a oposição prometia a queda do regime nas redes sociais. "Frente ao complô, o povo escolheu reconduzir seus líderes para restabelecer a segurança, lutar contra o terrorismo e reconstruir o país", afirmou o ministro sírio das Relações Exteriores, Walid Muallem, citado pela imprensa.

O regime de Assad nunca reconheceu o movimento de protesto lançado em março de 2011 e que, violentamente reprimido, se transformou em rebelião armada classificada de terrorista pelo poder. As estimativas são que 162.000 pessoas morreram desde então, e nove milhões perderam suas casas.

Forte participação

Apesar da guerra que deixou mais de 162.000 mortos, parte da população segue apoiando Assad. "Milhares de sírios foram votar desafiando o terrorismo e os carros-bomba para afirmar a legalidade de um novo mandato de Bashar al-Assad que durará até 2021", escreveu também o Al-Watan.

"Os colégios eleitorais foram tomados de assalto. Isto reflete o alto grau de responsabilidade em relação aos desafios da guerra terrorista contra a qual lutam na Síria", afirmou o jornal oficial As Saura. Os jornalistas da AFP também observaram uma participação importante e a votação se prolongou por cinco horas "devido à afluência de eleitores", segundo as autoridades.

No entanto, as ruas estavam quase desertas em Damasco no dia da eleição, devido à queda de muitos obuses disparados pelos rebeldes. "Mais de 130 obuses de morteiros caíram na terça-feira sobre Damasco e em seus arredores nas mãos do regime", matando três pessoas, indicou o OSDH.

Em Aleppo, nas zonas sob controle do regime, foram registrados 19 mortos.

"Tomamos medidas militares secretas para impedir que os terroristas coloquem obstáculos no processo eleitoral. Concentraram suas ações em Damasco e Aleppo, mas ao votar em massa o povo marchou contra o terrorismo e contra os que o apoiam", afirmou à AFP um funcionário militar de alto escalão.

Como o dia das eleições não era feriado, muitos funcionários do serviço público votaram em seu gabinete. A eleição foi realizada nos setores controlados pelo regime, em torno de 40% do território onde vive 60% da população. A presidência síria agradeceu em um comunicado a "todos os sírios que participaram maciçamente da eleição".

O Ocidente, que apoia a oposição síria moderada, denunciou a realização de eleições em um país em guerra, e o OSDH afirmou que o regime forçou os cidadãos a votar, ameaçando-os com a prisão. Kerry, em sua visita a Beirute, pediu que Rússia, Irã e o movimento islamita Hezbollah ajudem a levar a paz ao país.

A União Europeia (UE) considerou as eleições ilegítimas e convocou a encontrar uma solução para o horrível conflito que provocou o deslocamento de nove milhões de sírios. Em Nova York, a ONU insistiu que o "primordial" é que o governo se desfaça de suas armas químicas.

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