Americanos aceitam contas mais altas de energia, diz pesquisa

Segundo a Bloomberg National Poll, 62% da população dos Estados Unidos pagariam um preço maior se isso resultasse em uma redução da poluição por emissão de gás carbônico

Por douglas.nunes

Os americanos estão dispostos a arcar com os custos de combater as mudanças climáticas e a maioria está mais inclinada a apoiar um candidato que procure solucionar o problema.

Por uma margem de quase dois para um, 62% a 33%, os americanos dizem que pagariam um preço maior pela energia elétrica se isso resultasse em uma redução da poluição por emissão de gás carbônico, segundo a Bloomberg National Poll.

Enquanto os republicanos estão divididos, com 46% dispostos a pagar mais e 49% contrários à ideia, 82% dos democratas e 60% dos independentes dizem que aceitariam contas mais altas.

O presidente Barack Obama está avançando com novas regras que exigiriam que os estados reduzissem as emissões de carbono das usinas elétricasSaul Loeb/AFP

“Já estamos atingindo 110º (43,3º Celsius) aqui”, disse Larry McNamed, um independente de 44 anos de idade, de Henderson, Nevada. “Muitas pessoas estão tentando varrer esse assunto para baixo do tapete, mas nós precisamos fazer alguma coisa. Vai ficar cada vez mais quente”.

O presidente Barack Obama está avançando com novas regras que exigiriam que os estados reduzissem as emissões de carbono das usinas elétricas. A Casa Branca vê o plano, divulgado em 2 de junho pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA, como uma forma de reduzir as emissões em 30% até 2030 em relação aos níveis de 2005.

A administração calcula que as usinas e seus clientes gastariam até US$ 8,8 bilhões para cumprir essas regras. A Barclays Plc prevê que as medidas aumentariam em 10% as taxas de energia elétrica até 2030.

A proposta da agência provavelmente será modificada durante um período de comentários públicos. Uma aliança bipartidária de legisladores de estados produtores de carvão prometeu aprovar uma lei para bloqueá-la.

Resultado fora do comum

“É uma pesquisa fora do comum, na qual os participantes se apresentarão e dirão ‘cobrem mais impostos de mim’”, disse J. Ann Selzer, fundador da Selzer Co., com sede em Des Moines, Iowa, que realizou a pesquisa entre 6 e 9 de junho, com 1.005 adultos americanos e margem de erro de 3,1 pontos porcentuais para mais ou para menos.

A proposta de Obama dividiu seu partido de acordo com as regiões. Enquanto os candidatos democratas ao Senado por Iowa e Colorado apoiam os limites às emissões, outros em estados produtores de carvão como Virgínia Ocidental e Kentucky se opõem a eles.

Mais da metade de todos os americanos e a maioria das mulheres, dos jovens e dos independentes que participaram da pesquisa e que planejam votar nas eleições de meio-termo dizem que os candidatos que apoiarem medidas para limitar as mudanças climáticas têm maiores chances de ganhar seu apoio.

“A mudança climática será um desastre para os meus netos e para os netos deles”, disse Lori Hartman, professora aposentada de Buffalo, Nova York. “Eles têm que fazer alguma coisa agora -- e não daqui a alguns anos”.

Ameaça ao clima

A maioria dos americanos vê as mudanças climáticas como uma ameaça, sendo que 46% classificam o fato como uma “grande” ameaça e 27%, como uma “pequena ameaça”. A metade gostaria que o governo dos EUA adotasse políticas para combatê-la na próxima década.

O apoio às ações cai segundo as linhas partidárias. Setenta por cento dos democratas e 51% dos independentes dizem que estão mais inclinados a apoiar candidatos que defendam a tomada de ações em relação às mudanças climáticas, contra apenas 28% dos republicanos.

O público também está dividido em relação às bases científicas das mudanças climáticas. Quarenta e oito por cento dizem que “confiam” nos alertas dos cientistas sobre o problema, enquanto 43% dizem que os cientistas “manipulam suas descobertas por razões políticas”.

“Para mim há coisas mais importantes para votar”, disse Anthony Farah, 35, de San Antonio. “Impostos, imigração, reforma da saúde, economia -- eu colocaria essas coisas antes das mudanças climáticas”.

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