Por marta.valim

Enquanto Janet Yellen diminui a operação de impressão de dinheiro da Reserva Federal dos EUA, Mario Draghi está ampliando a oferta de dinheiro da Europa. Isso significa que os dólares que o Fed de Yellen está removendo podem ser compensados por euros baratos do Banco Central Europeu. Como resultado, pode ser que haja dinheiro suficiente em circulação para sustentar o aumento deste ano em ativos de risco, mesmo se o Fed começar a ponderar também a aplicação de taxas de juros mais altas, diz Marios Maratheftis, diretor de pesquisa macro na Standard Chartered Plc em Dubai.

“Se há algum banco central que pode assumir o papel do Fed em termos de impacto na liquidez global, é o BCE”, diz um relatório de 30 de junho de Maratheftis e dos colegas David Mann e Italo Lombardi.

Eles calculam que a importância relativa do Fed no impulso à liquidez internacional tem caído desde abril de 2013. Durante o ano passado, o banco desacelerou a compra de bônus que iniciou em dezembro de 2008, quando o pânico financeiro atingiu o planeta. As exigências mais recentes das reguladoras para que os bancos incrementem as reservas podem significar também que uma oferta maior de dinheiro nos EUA amplia menos a liquidez em outros lugares.

Para cada injeção de US$ 10 bilhões na oferta de dinheiro dos EUA, há agora um incremento global de US$ 20,5 bilhões, abaixo dos US$ 24,4 bilhões de um ano atrás, segundo os economistas da Standard Chartered. Entretanto, para cada aumento de US$ 10 bilhões na oferta de dinheiro da zona do euro, há um incremento global de US$ 19,7 bilhões, acima dos US$ 18 bilhões anteriores.

Impacto do Fed

Com a redução de seu programa de flexibilização quantitativa, o Fed deixou de ter um impacto 35 por cento maior que o do BCE, como ocorria um ano atrás, e hoje essa diferença é de 5%. Os economistas também calculam que para manter estável a oferta global de dinheiro o BCE precisaria fornecer US$ 10 bilhões de liquidez para cada retirada de US$ 9,5 bilhões pelo Fed.

Isso pode acontecer. A Standard Chartered prevê que o banco central da zona do euro, que tem sede em Frankfurt, dará início ao seu próprio programa de compras de ativos antes do fim deste ano.

“O foco deve começar a mudar das ações do Fed para o que o BCE fará”, disse a Standard Chartered. “A decisão do BCE a respeito de flexibilização quantitativa pode ser impulsionada domesticamente, mas seu impacto será global”.

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