Viagem a Washington incita pedido de negociação da dívida da Argentina

A quatro semanas do fim do prazo que pode afundar a Argentina em outro default, credores dos fundos Elliott Management Corp. e a Aurelius Capital querem negociar com ministro da Economia argentino

Por marta.valim

A quatro semanas do fim de um prazo que poderia afundar a Argentina em outro default, credores com reivindicações oriundas da última crise de dívida do país estão ficando ansiosos para conseguir um acordo.

A Elliott Management Corp. e a Aurelius Capital Management LP, hedge funds que possuem títulos do default de 2001, emitiram comunicados ontem pedindo ao ministro da Economia Axel Kicillof que também utilize sua viagem a Washington, agendada para hoje, para reunir-se com eles para negociar. Após obter uma decisão judicial favorável, que obriga a Argentina a pagar as notas velhas quando amortizar os títulos atuais, a melhor chance que os fundos têm de serem pagos é fechar um acordo antes que um novo default seja disparado no dia 30 de julho e leve o país novamente a uma crise.

“A Elliott sabe que pode ser abandonada a sua própria sorte e por isso está tentando negociar”, disse por e-mail Carlos Abadi, o CEO do banco de investimentos ACGM Inc., com sede em Nova York. “Caso contrário, eles simplesmente esperariam”.

Na semana passada, um juiz americano bloqueou um pagamento de juros de US$ 539 milhões que deveria ser realizado no dia 30 de junho para os títulos em dia da Argentina, depois que o país desobedeceu a suas ordens de pagar US$ 1,5 bilhão aos detentores de dívida em default. Ainda que os preços dos títulos da Argentina estejam rondando seu valor mais alto em três anos em meio à especulação de que se chegue a um acordo antes do fim do período de carência de 30 dias, que expira neste mês, os hedge funds estão pressionando para que a Argentina participe de negociações.

Apresentação na OEA

Kicillof deve realizar hoje uma apresentação sobre o caso da dívida argentina na Organização dos Estados Americanos, em Washington. Na semana passada, o ministro viajou a Nova York para se apresentar perante as Nações Unidas e não se reuniu com os detentores.

“Este será o segundo discurso de Kicillof nos EUA em duas semanas, porém em ambas as ocasiões ele se recusou a reunir-se conosco”, disse Mark Brodsky, presidente da Aurelius, em um comunicado. “Discursos não evitarão outra crise da dívida argentina no dia 30 de julho”.

O caso está chegando a um ponto crucial depois que, no dia 16 de junho, o Supremo Tribunal dos EUA manteve a vigência das decisões de tribunais inferiores que obrigam a Argentina a pagar aos investidores que não ofereceram seus títulos em default nas reestruturações de 2005 e 2010. O default da Argentina por US$ 95 bilhões, feito em 2001, foi o maior já registrado à época.

Anúncio no Times

Desde que a presidente Cristina Fernández de Kirchner disse, no dia 20 de junho, que ela tentaria encontrar uma solução negociada, o governo publicou anúncios no New York Times e no Financial Times que vilipendiam o juiz distrital americano Thomas Griesa.

Os investidores esperam que haja um acordo apesar da retórica da administração, segundo Michael Roche, estrategista de mercados emergentes do Seaport Group LLC. Os títulos da Argentina em dólares com vencimento em 2033 subiram US$ 0,0061 ontem, para US$ 0,8494 por dólar, a dois centavos do valor mais alto em três anos, alcançado em 23 de junho.

Os incentivos para que a Argentina chegue a um acordo são tão altos quanto os dos detentores, pois a economia está se contraindo e as reservas de moeda estrangeira estão beirando seu valor mais baixo em oito anos, disse Marcela Meirelles, estrategista do TCW Group Inc. em Los Angeles.

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