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Putin pede aos europeus 'senso comum' diante de ameaça de mais sanções

Mercado financeiro russo cai após Bruxelas ameaçar novas medidas de represália

Por parroyo

O presidente russo, Vladimir Putin, convocou os europeus a ter senso comum e a se abster de aplicar novas sanções contra Moscou por seu suposto envolvimento na crise ucraniana. "Espero que o senso comum prevaleça", que "trabalhemos juntos novamente e que nós e nossos sócios não nos prejudiquemos com estes ataques respectivos", declarou Putin, citado pelas agências russas, durante uma reunião na Sibéria oriental.

A ameaça de novas sanções lançadas por Bruxelas e as medidas de represália russas, assim como os combates na Ucrânia, pesaram novamente nos mercados financeiros russos.

O rublo, que alcançou na sexta-feira seu nível mais baixo frente ao dólar, caiu novamente nesta segunda-feira com um dólar que era cotado a 37,51 rublos, um recorde histórico. O euro, por sua vez, superou a barreira dos 49 rublos (49,27) pela primeira vez desde o início de maio.

"O mercado continua centrado nos riscos geopolíticos", segundo analistas do VTB Capital. "Está claro que este contexto ofusca as perspectivas no curto prazo".

A queda da moeda russa ameaça acentuar a inflação, superior a 7% pela crise na Ucrânia. Os preços devem aumentar mais após o embargo decretado por Moscou à maioria dos produtos alimentares procedentes dos países que sancionam o país.

Índices da bolsa em baixa

Os índices da bolsa de Moscou terminaram o dia em baixa. O índice Micex (em rublos) perdeu 0,59%, enquanto o RTS (em dólares) cedeu 1,06%.

Os índices russos caíram na quinta e sexta-feira à espera das novas sanções europeias, previstas inicialmente para o fim de semana, embora o Conselho Europeu tenha dado uma semana de prazo à Rússia para mudar de rumo na Ucrânia, onde se multiplicam as acusações de intervenção militar russa.

O ministro russo da Economia, Alexei Uliukaev, advertiu na semana passada que Moscou já havia preparado mais medidas de represália contra os ocidentais em caso de novas sanções.

"A Rússia não tem a intenção de fechar a porta, mas defenderá sua economia (...) e tirará conclusões dos atos de nossos sócios", explicou o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, que disse que defenderão seus interesses através da Organização Mundial do Comércio (OMC).

As sanções provocaram até o momento grandes fugas de capitais e limitaram o acesso de algumas empresas, entre elas os grandes bancos públicos, aos mercados financeiros ocidentais.

A queda da moeda e a incerteza econômica começam a pesar no consumo. Por sua vez, a indústria apoia a atividade, em especial para substituir localmente a produção importada até então da Ucrânia.

O governo prevê oficialmente um crescimento de 0,5% neste ano, após o 1,3% do ano passado, embora longe dos 7% e 8% dos dois primeiros mandatos de Putin no início dos anos 2000.

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