Argentina propõe a França como sede alternativa para pagamento da dívida

Reforma de Kirchner tira do Bank of New York o poder de agente de pagamento da dívida e a transfere para Buenos Aires, Paris ou outro lugar escolhido pelos credores para colocar fim ao "default seletivo" provocado em julho

Por marta.valim

O bloco majoritário do Senado argentino aliado da presidente Cristina Kirchner proporá nesta quarta-feira que Paris seja outra alternativa a Buenos Aires como sede de pagamento da dívida para evitar o bloqueio judicial nos EUA, informou uma fonte oficial à AFP.

"Durante o debate de hoje a bancada governista proporá acrescentar a França como alternativa, além da Argentina, como sede de cobrança para os credores", disse a fonte legislativa que pediu para não se identificar.

A reforma de Kirchner tira do Bank of New York (BoNY) o poder de agente de pagamento da dívida e a transfere para Buenos Aires, Paris ou outro lugar escolhido pelos credores para colocar fim ao "default seletivo" provocado em julho como consequência da decisão do juiz Thomas Griesa, do distrito de Nova York.

A Argentina depositou os 539 milhões de dólares em nome dos credores que aceitaram a renegociação da dívida em 2005 e 2010 (93% dos credores), mas o magistrado ordenou um bloqueio sobre o dinheiro como pressão para que a Argentina cumpra a sua sentença que determina o pagamento de 100% da dívida de 1,33 bilhão de dólares com os fundos especulativos que ganharam a ação judicial contra o país.

Um debate duro e intenso, que talvez se prolongue até quinta-feira, se dará no Senado, com a oposição a Kirchner em minoria, votando contra, em meio a uma situação econômica delicada, com alta demanda de dólares e incerteza, que levou a 70% a diferença existente entre a cotação oficial e a informal do dólar no país.

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