Obama afirma que EUA não se deixarão intimidar pelo Estado Islâmico

Após a divulgação do vídeo da decapitação de Sotloff, considerado autêntico pela Casa Branca, o governo dos Estados Unidos anunciou o envio de mais 350 soldados ao Iraque

Por marta.valim

O presidente Barack Obama afirmou nesta quarta-feira que os Estados Unidos não se deixarão intimidar pelos jihadistas do Estado Islâmico (EI) após a decapitação de um segundo jornalista americano, Steven Sotloff.

"Os que comentem o erro de provocar dano aos americanos aprenderão que não esquecemos, nosso alcance é longo e faremos justiça", disse durante uma visita a Estônia, antes da reunião de cúpula da Otan em Gales na quinta-feira e sexta-feira.

"Não nos deixaremos intimidar", completou, apesar de reconhecer que a luta contra o EI, que atua no Iraque e Síria, "levará tempo".

Após a divulgação do vídeo da decapitação de Sotloff, considerado autêntico pela Casa Branca, o governo dos Estados Unidos anunciou o envio de mais 350 soldados ao Iraque.

Desde 8 de agosto, Washington realiza uma ofensiva aérea contra os jihadistas no Iraque.

Os soldados se unem aos 470 oficiais mobilizados desde 9 de junho, quando começou a ofensiva jihadista no Iraque.

O EI cumpriu a ameaça de executar Sotloff, que havia sido anunciada há duas semanas em outro vídeo, no qual o grupo jihadista divulgou a decapitação de outro jornalista americano, James Foley.

No vídeo divulgado na terça-feira, o EI, que proclamou a criação de um califado nas regiões que conquistou nos últimos meses no Iraque e Síria, ameaçou matar um terceiro refém, o britânico David Cawthorne Haines.

Ao mesmo tempo, Washington prossegue com a ofensiva aérea que permitiu às forças iraquianas e curdas retomar dos jihadistas várias áreas ao norte de Bagdá, incluindo a cidade de Amerli, cercada durante dois meses pelo EI.

A Casa Branca também informou que terá uma reunião com os aliados da Otan para "desenvolver uma coalizão internacional para estabelecer uma estratégia" e que continuará apoiando o Iraque na luta contra o Estado Islâmico.

Mensagem para os EUA

O primeiro-ministro britânico David Cameron, que chamou o vídeo da decapitação de Sotloff de "repugnante", reuniu o governo para uma reunião de emergência.

No vídeo, com o título "Segunda mensagem aos Estados Unidos", Sotloff, de 31 anos, que provavelmente foi sequestrado na Síria em agosto de 2013, fala olhando para a câmera e diz ser vítima da decisão de Obama de realizar ataques aéreos contra os jihadistas no Iraque.

O carrasco, com o rosto encapuzado e que fala com sotaque britânico, aponta depois outro refém, o britânico David Cawthorne Haines, e ameaça executá-lo.

O vídeo é muito similar ao divulgado em 19 de agosto, que mostrava a decapitação de James Foley, de 40 anos, sequestrado na Síria em 2012.

Sotloff trabalhava para os jornais Time e World Affairs.

A família afirmou por meio de um porta-voz que estava "a par da tragédia horrível e chorava a morte na intimidade".

Soldados iraquianos desaparecidos

Em Bagdá, o Parlamento celebra nesta quarta-feira uma sessão de emergência para debater a questão dos quase 1.7000 soldados desaparecidos desde que se renderam ao EI em junho.

Na Síria, uma equipe de negociadores da ONU chegou nesta quarta-feira às Colinas de Golã para tentar conseguir a libertação de 40 capacetes azuis de Fiji, que foram sequestrados na semana passada pela Frente Al-Nosra, o braço sírio da Al-Qaeda.

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