Presidente do Conselho Europeu pede para que imigrantes desistam de ir à Europa

'Não coloquem em risco suas vidas e seu dinheiro. Tudo isso não servirá de nada', disse Donald Tusk

Por rafael.souza

Atenas - O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu nesta quinta-feira para que imigrantes e refugiados parem de ir para a Europa, uma vez que nem a Grécia nem qualquer outro país europeu têm mais condição de servirem como países de trânsito.

"Quero lançar um apelo a todos os imigrantes econômicos ilegais potenciais, de onde forem. Não venham à Europa. Não acreditem nos traficantes. Não coloquem em risco suas vidas e seu dinheiro Tudo isso não servirá de nada", disse Tusk durante uma coletiva de imprensa depois de se reunir com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras. "A Grécia ou qualquer outro país europeu deixará de ser um país de trânsito", disse Tusk.

Imigrantes chegam ao sul da HungriaEPA

A Grécia tem enfrentado grandes desafios diante da chegada de 30 mil imigrantes que estão presos no país, marcando uma nova etapa na crise humanitária inundando a Europa. Na cidade de Idomeni, na fronteira com a Macedônia, mais de 10 mil pessoas estão presas em um acampamento construído para 1.500 pessoas.

Tsipras disse que seu país iria continuar a ajudar os imigrantes, mas não a qualquer custo. "A Grécia não vai deixar ninguém desamparado", disse ele, afirmando que iria "criar centros de hospitalidade temporária", mas que o país não vai se tornar "um armazém de almas". "A União Europeia não vai deixar a Grécia [enfrentar o afluxo de imigrantes] sozinha", disse Tusk.

Regras da chamada área Schengen - em que cidadãos dos 26 países do bloco podem viajar sem passaporte da Europa - será totalmente restaurada, com a entrada negada aos imigrantes que não entrarem com pedido de asilo no primeiro país que eles colorem os pés da União Europeia, disse Tusk.

"Temos que evitar a ilusão de que, em vez de o pleno respeito pelas regras de Schengen, pode haver outra solução europeia, fácil e conveniente", disse ele. Tusk reconheceu que o restabelecimento de Schengen não deve, por si só, ser uma solução para a crise imigratória. "Estou plenamente consciente disso.

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