Por felipe.martins

Rio - O advogado panamenho no centro do escândalo de vazamento de dados que constrangeu vários líderes mundiais garante que seu escritório foi vítima de invasão cibernética de alguém de fora. Sócio-fundador da Mossack Fonseca, Ramón Fonseca afirmou que o escritório, especializado na criação de empresas offshore, não violou leis e que suas operações são legais. A firma tampouco destruiu documentos ou ajudou alguém a sonegar impostos e lavar dinheiro, acrescentou em entrevista à Reuters.

“Descartamos uma ação interna. Isto não é um vazamento. Isto é um ataque hacker”, afirmou Fonseca, de 63 anos, na sede do escritório, em um bairro empresarial da Cidade do Panamá. “Temos uma teoria e a estamos seguindo”, acrescentou. “Já fizemos as queixas relevantes à Procuradoria-Geral, e há uma instituição governamental estudando o assunto”, continuou.

Fonseca também denunciou o que chamou de “caça às bruxas”. Ele lamentou o que classificou como ativismo e sensacionalismo jornalístico e louvou suas próprias credenciais de pesquisador investigativo como romancista publicado no Panamá. “O único crime que foi provado é o ataque hacker”, afirmou Fonseca. “Ninguém fala disso. Esta é a matéria.”

Sede do escritório de advocacia Mossack Fonseca%2C na Cidade do Panamá%3A um dos sócios garante ter sido vítima de um hacker externoEfe

MEIO MUNDO ENVOLVIDO

Governos de todo o mundo iniciaram investigações sobre delitos financeiros cometidos por ricos e poderosos de vários países depois do vazamento de mais de 11,5 milhões de documentos, chamados de ‘Panama Papers’, do escritório de advocacia, que cobrem quatro décadas.

Os papéis revelaram arranjos financeiros de figuras proeminentes, incluindo amigos do presidente da Rússia, Vladimir Putin, parentes dos primeiros-ministros de Grã-Bretanha e Paquistão e do presidente da China, Xi Jinping, e o presidente da Ucrânia.

O Brasil também está entre os vários países com autoridades envolvidas no escândalo. Os documentos obtidos apontam que o escritório criou ou gerenciou cerca de 100 empresas offshore para ao menos 57 indivíduos ou empresas já relacionados ao esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato.
Na terça-feira, o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson, renunciou, tornando-se a primeira vítima do vazamento.
Abrir uma empresa pode custar em torno de 700 a 1.000 dólares, disse Fonseca, e uma parte significativa desse valor vai para o governo. A Mossack Fonseca abriu cerca de 250 mil negócios nos últimos 40 anos.

Fonte exigiu anonimato

“Olá, aqui é o fulano. Interessam alguns dados?” Esta foi a mensagem que deu origem ao megavazamento de dados do ‘Panama Papers’, recebida por Bastian Obermayer, repórter do jornal alemão ‘Suddeutsche Zeitung’. “Há algumas precondições. Minha vida corre perigo”, alertou a fonte, segundo confirmou à ‘BBC’ Frederik Obermaier, outro repórter.

A fonte anônima impôs condições claras. Encontros ao vivo estavam descartados. “A comunicação será por arquivos criptografados. Nunca nos reuniremos. A decisão sobre o que será publicado é de vocês”. “A fonte não queria compensação econômica nem nada em troca, só medidas de segurança”, afirmou Obermaier.

Mas qual era a motivação para fazer algo assim? “Quero tornar esses crimes públicos”, disse. Nos meses seguintes, chegaram 2,6 terabytes de dados, em 11,5 milhões de documentos da Mossack Fonseca, em páginas que tiveram de passar por reconhecimento de caracteres (OCR, em inglês).

Com Reuters e BBC Brasil

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