Ataque na Turquia deixa pelo menos três policiais mortos e mais de 146 feridos

Ação foi atribuída ao PKK e provocou danos no prédio do quartel-general da polícia de Elazig; é primeira vez que um ataque ocorreu uma aréa onde a população não é totalmente curda

Por rafael.nascimento

Istambul - Ao menos três policiais morreram e 146 pessoas ficaram feridas, 14 em estado grave, nesta quinta-feira, em um atentado com carro-bomba contra o quartel-general da polícia de Elazig, reduto nacionalista no leste da Turquia de população não curda. Até agora, a região não havia sido afetada pelo conflito entre o Estado turco e os rebeldes curdos.

O ataque, que foi rapidamente atribuído ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) pelo ministro da Defesa, Fikri Isik, provocou danos consideráveis no edifício de quatro andares e nos imóveis vizinhos, onde se encontram casas reservadas às famílias dos policiais, segundo as redes de televisão locais.

Equipe de resgate e policiais turcos inspecionam área onde ocorreu o ataque com um carro-bomba na cidade de ElazigReprodução/Twitter

Esta foi a primeira vez em que os atentados alcançaram regiões onde a população não é majoritariamente curda. "É evidente que o PKK quer se aproveitar do ambiente atual na Turquia. Toda organização terrorista gosta de aproveitar as crises", indicou uma fonte próxima ao governo, em referência ao golpe.

Várias pessoas que entraram no edifício pouco depois da explosão, ouvida a quilômetros de distância, gritavam freneticamente à procura de sobreviventes, segundo as imagens chocantes divulgadas pela emissora CNN Türk. A explosão abriu uma cratera de vários metros de diâmetro.

"Até agora não havíamos tido um ataque assim na cidade, nem recebido informações sobre um eventual ataque", indicou à CNN Türk Omer Serdar, deputado do partido islamista-conservador no poder AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento), visivelmente surpreso.

Na noite de quarta-feira, 3 pessoas, 2 civis e 1 policial, morreram e 73 ficaram feridas em Van, outra localidade a leste da Turquia, em outro atentado com carro-bomba cometido pelo PKK, declarou o governador Ibrahum Tasyapan. Cerca de uma tonelada de explosivos foram utilizados, de acordo com a agência de notícias Dogan.

Esta é a primeira vez que um ataque ocorreu uma região onde a população não é majoritariamente curdaReprodução/Twitter

Van é uma das grandes cidades de população mista - curda e turca -, além de ser um destino turístico popular. Localizada perto do Irã, abriga vestígios de civilizações antigas, incluindo a armênia. Até agora, a área havia se esquivado relativamente da violência, que desde o início do levante do PKK contra o Estado turco, em 1984, custou a vida de 40 mil pessoas.

As forças de segurança sofrem ataques quase diariamente por parte do PKK desde o fim do cessar-fogo no verão de 2015. Centenas de policiais e militares morreram. Segundo a Human Rights Watch, mais de 7 mil combatentes curdos e mais de 300 civis morreram no último ano, enquanto 355 mil pessoas foram obrigadas a fugir em razão da retomada do conflito.

No expurgo posterior à tentativa de golpe lançado pelas autoridades turcas contra simpatizantes do opositor Fethullah Gülen, acusado de ser o cérebro do golpe, milhares de policiais e soldados foram demitidos ou detidos, aumentando os temores de um enfraquecimento dos meios do Estado para combater o PKK.

Contudo, o ministro da Defesa garantiu à agência de notícias pró-governamental Anatolia que "desde 15 de julho a República da Turquia é ainda mais forte" e que, mais cedo ou mais tarde, conseguirá erradicar o PKK.

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