Futebol sem árbitro no EI

Às vésperas de campeonato regional, Estado Islâmico só autoriza partidas que não tenham juiz. Jihadistas alegam que diretrizes da Fifa não respeitam Alá

Por thiago.antunes

Damasco - O Estado Islâmico (EI) proibiu o trabalho de árbitros em jogos de futebol na cidade de Al-Mayadin, na Província de Deir ez-Zor, na Síria, conforme divulgou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

De acordo com a ONG, o grupo jihadista já comunicou a todos os donos de campos de futebol da região que estão vetadas as arbitragens em partidas, porque estas são regidas pela Fifa, e não pela lei islâmica.

Para o EI, as decisões dos árbitros “não são regidas pelo que Alá ordenou”, como, diante de um jogador que sofra lesão, tenha que punir quem a provocou. No futebol, no entanto, o que existe é o mecanismo de advertência por cartões.

De acordo com o Observatório, no entanto, esta não é a primeira vez que o Estado Islâmico tenta fazer com que jogos de futebol não aconteçam com a presença de árbitros. A proibição divulgada ontem acontece poucos dias antes do início da liga de futebol composta por clubes dos bairros de Al-Mayadin e arredores.

Ainda de acordo com a ONG, alguns jogadores se disseram ‘sortudos’ por não ter ocorrido a proibição total do esporte na região, como aconteceu, por exemplo, em Mossul, a ‘capital do EI’ no Iraque. Na localidade, as pessoas que são flagradas jogando futebol são castigadas com 80 chibatadas.

O grupo jihadista proclamou, em junho de 2014, um califado na Síria e no Iraque, instalando uma interpretação radical da lei islâmica e impondo restrições.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia