Oposição volta às ruas para exigir referendo contra  Nicolás Maduro

Militantes denunciam a "perseguição" e a "repressão" sofridas por parte do governo

Por lucas.cardoso

Caracas - Animada pela marcha que tomou as ruas de Caracas na semana passada, a oposição venezuelana retomará os protestos, nesta quarta-feira, para reivindicar um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro.

Desta vez, a convocação vai além de Caracas, incluindo outras cidades. Contramarchas chavistas também são esperadas em todo o país. O ponto final da mobilização são as sedes do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), em meio a um clima de tensão após várias detenções. A oposição denuncia a "perseguição" e a "repressão" sofridas por parte do governo. Este alega, por sua vez, que está tentando conter a violência e um golpe de Estado.

Diante do protesto, o CNE decidiu fechar seus 24 escritórios regionais na quarta-feira. "Em vista da virulência da linguagem que utilizam, nos vemos na obrigação de suspender as atividades", declarou a ministra Socorro Hernández.

"O protagonismo será das regiões, porque Caracas já teve o seu. Procuramos acelerar a solução política e eleitoral para essa crise", disse o secretário-executivo da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, referindo-se à massa gigantesca que foi às ruas da capital na última semana.

A oposição vê o referendo como única saída para a crise econômica e espera que a insatisfação da população ajude a lotar as ruas para pressionar o CNE a fazer a consulta ainda este ano.

Buscando ganhar tempo, o governo acelerou planos de abastecimento de produtos básicos com o apoio dos militares e mantém, no CNE e no Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), uma série de demandas contra a oposição, incluindo a possibilidade de suspender a imunidade dos deputados. A Casa é de maioria opositora.

"O referendo revogatório não tem a menor possibilidade de ser este ano (...) Se acontecer, seria para março", manifestou o número dois do chavismo, Diosdado Cabello.

A corrida é feroz. Está em jogo uma mudança de modelo, após 18 anos de governo socialista. Se a consulta for realizada antes de 10 de janeiro de 2017 e Maduro perder, haverá nova eleição à Presidência. Se acontecer depois e o presidente tiver seu mandato revogado, será substituído por seu vice.

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