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Trump promete ampliar a prisão de Guantánamo

Presidente eleito responde ao desejo de Obama de remover mais detentos

Por thiago.antunes

Estados Unidos - Promessa de campanha de Barack Obama não cumprida, o fim da prisão de Guantánamo, em Cuba, está cada vez mais distante. Donald Trump, que toma posse daqui a duas semanas, afirmou ontem, no Twitter, que não só manterá a cadeia, como também vai ampliá-la e enchê-la de “caras maus”.

Trump reagiu à notícia de que Obama pretende transferir mais detentos da polêmica carceragem, criada em 2002 por George W. Bush em resposta ao 11 de Setembro. “Não deveria haver mais libertações em Gtmo (código militar do aeroporto da Base de Guantánamo). São pessoas extremamente perigosas e não se deve permitir que voltem ao campo de batalha”, escreveu Trump.

Restam agora 59 detentos, dos quais 22 receberam sinal verde da Casa Branca para serem transferidos a um terceiro país. Obama prometeu continuar acelerando as transferências até a posse de Trump, dia 20. No entanto, 37 presos estão à espera de julgamento. Com essa população residual será impossível que Obama a feche, como prometeu logo após chegar à Casa Branca no primeiro mandato, em 2009.

George W. Bush aproveitou a estrutura de Guantánamo%2C que existe desde 1903%2C para criar a prisão%2C em 2002Efe

A Base de Guantánamo é mais antiga que a Revolução Cubana. Bush criou ali uma prisão onde os direitos, para alguns, eram difusos. Era um limbo jurídico no qual não havia provas para mantê-los ali, mas soltá-los seria um risco — e Obama sabia disso. Mas ele tentou transferi-los a presídios estaduais, no que saiu derrotado pelo Congresso, que dificulta o fechamento de Gtmo.

Das quase oito centenas de presos que já passaram pelo campo, apenas três foram condenados até hoje. Entre eles, o motorista de Osama bin Laden.

Muitos dos detidos contaram histórias de maus-tratos: espancamentos, privação de sono, imposição de posições desconfortáveis durante horas, humilhações sexuais ou de natureza religiosa. As histórias foram confirmadas por organizações como a Cruz Vermelha e a Anistia Internacional.

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