Viber avança no Brasil, ao ir além da troca de mensagens

Ao reunir troca de mensagens, vídeos e chamadas de voz, Viber rouba mercado de WhatsApp, Snapchat e Skype. Cortejado pelo Google e Facebook, o app atraiu 6 milhões de brasileiros com chamadas gratuitas

Por marta.valim

Cobiçado por gigantes como Google e Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, o Viber — aplicativo multiplataformas que permite que seus usuários façam chamadas de voz e enviem mensagens de texto sem custo — foi vendido para a japonesa Rakuten, em fevereiro. Essa foi a forma escolhida pela empresa para se rentabilizar, mas continuar independente, já que seus fundadores permanecem como os principais executivos.

Com quase 400 milhões de usuários em todo o mundo — o WhatsApp, seu principal concorrente, divulgou em fevereiro mais de 460 milhões de usuários ativos mensalmente —, o Viber começa a dar passos mais largos também aqui no Brasil. Desde que trouxe uma operação para o país, no final de janeiro, o aplicativo já conquistou mais seis milhões de clientes, passando de 10 milhões para 16 milhões.

“Trouxemos uma base para cá com o objetivo de impulsionar o crescimento, aproveitando o espaço existente e o envolvimento do brasileiro com a internet móvel e a troca de mensagens. Já somos o segundo colocado aqui, com folga em relação aos demais concorrentes, perdemos apenas para o WhatsApp”, diz o gerente-geral do Viber no Brasil, Luiz Felipe Barros.

Como parte da estratégia está consolidar o aplicativo não só como uma opção para chamadas de voz, mas uma ferramenta completa de interação social. “Além da voz, temos mensagens de texto, conversas em grupo, envio de stickers e desenhos... Somos também multiplataforma, pois funcionamos nos sistemas operacionais de smartphones e nos de PCs e tablets”, destaca Barros.

De olho nas peculiaridades dos brasileiros, o Viber acaba de encerrar uma ação que permitia que os usuários daqui fizessem ligações para telefones fixos do Brasil ou qualquer número dos Estados Unidos e do Canadá gratuitamente. “O objetivo era mesclar a divulgação de duas funcionalidades: mensagens de texto também em desktop, e mostrar que o Viber Out — serviço de ligações semelhante ao Skype — oferecia uma boa experiência”, explica o executivo.

A ação, que durou nove semanas, era renovada a cada sete dias, desde que o volume de mensagens de texto do usuário na plataforma fosse 25% maior do que na semana anterior. “Além de ajudar no aumento de 60% na base de clientes, foram 40 milhões de ligações gratuitas e um aumento de mais de 1000% nas mensagens trocadas no período”, comemora.
Outra iniciativa voltada para o público local é ajudar que seus usuários encontrem as figurinhas que faltam para o seu álbum da Copa através de aplicativo. A ação usa os grupos de mensagens do Viber para reunir os interessados. Para entrar é simples: basta enviar uma mensagem para o número +55 56 83922014 escolhendo de quais grupos quer participar.

“Algumas empresas tentaram trazer stickers (carinhas e ícones) para o Brasil, mas de forma globalizada. Para ser relevante de fato, toda a estratégia tem que levar em conta a cultura local. Então, criamos pacotes de imagens especialmente para Brasil. O primeiro foi sobre o Carnaval, e há pouco mais de uma semana lançamos um com expressões muito usadas no mercado LGBT”, completa Barros.

Outro diferencial do aplicativo, garante o executivo, é a inovação. “Este é o motor propulsor desse mercado. Existem dois caminhos bastante consagrados em apps de mensagens e redes sociais: poucos recursos e boa eficiência, como é o caso do WhatsApp. A outra forma é criar ecossistema que permita que a dinâmica social traga inovação. Nenhuma rede social teve vida mais longa do que quatro anos, a primeira foi o Facebook”, diz o executivo do Viber.

“Mas depois de criar o ‘like’, fan pages, abas, entre outros, o Facebook não conseguiu manter o ritmo de inovação e precisou adquirir outras empresas como Instagram e WhatsApp, este último porque o Messenger da rede social nunca decolou. Queremos construir a nossa própria inovação. É uma oportunidade de mercado, temos produtos muito amados, mas nenhum se tornou uma marca que desperte emoção, seja um life style, como a Apple conseguiu”, complementa ele.

No início do próximo trimestre, chegam à plataforma chamadas de vídeo e voz e também games, que vão desde os mais simples aos mais elaborados, com interações sociais. Inicialmente, serão feitas parcerias com produtores de jogos famosos, mas Barros não descarta que o Viber desenvolva seus próprios jogos no futuro. “Vai depender da resposta do consumidor. Compras dentro de games são mais uma fonte de receita”.

As chamadas de voz e vídeo já estão disponíveis para usuários de desktops. Em breve, chegam também aos dispositivos móveis. Ainda segundo Barros, a empresa prepara outras novidades.
Sem divulgar dados financeiros, Luiz Felipe Barros garante que outro ponto forte do aplicativo é ser totalmente gratuito. O WhatsApp cobra uma mensalidade de seus usuários depois de um ano de uso. Nossa rentabilidade vem de recursos adicionais, como stickers licenciados e o Viber Out.

A Rakuten e a expansão de suas operações

A Rakuten — japonesa, que é uma das maiores empresas do mundo em serviços de internet — comprou o Viber em fevereiro por US$ 900 milhões. Na época, a corporação disse que a meta era se tornar a número um do mundo em serviços de internet.

A japonesa iniciou sua marcha no mercado global de conteúdo digital em 2012 com a aquisição da Kobo, um dos serviços de eReading em ascensão no mundo, que fornece quatro milhões de eBooks, revistas e jornais para consumidores de 190 países. No mesmo ano, a companhia adquiriu a Wuaki.tv, empresa europeia de serviços de streaming e vídeo por demanda (concorrente do Netflix), que recentemente iniciou sua expansão internacional para além da Espanha, oferecendo seu catálogo de filmes, por meio de assinatura.

Em setembro do ano passado a Rakuten adquiriu a Viki, plataforma de conteúdo digital sem fronteiras, que já está disponível através de dispositivos móveis a 65% dos seus 30 milhões de usuários mensais.

A empresa japonesa entrou no Brasil em junho de 2011, com a aquisição da Ikeda, líder brasileira em soluções de comércio eletrônico. Outra unidade de negócios no mercado local é o Rakuten Shopping, um marketplace virtual, que varejistas e consumidores.

A empresa também atua na oferta de cursos específicos para varejistas de e-commerce, com foco no êxito da operação, através da Universidade Rakuten.

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