Seleção alemã faz a alegria da Adidas

Empresa patrocina as duas seleções na final da Copa do Mundo e que mais vendem camisas. O uniforme da Alemanha, com a associação ao Flamengo e uma boa dose de marketing, foi sucesso de vendas

Por marta.valim

Profissionalismo na Alemanha não é brincadeira. E eles têm provado dentro e fora de campo. A parceria entre Adidas, Flamengo e DFB (Federação Alemã de Futebol) tem se mostrado um dos maiores sucessos da Copa do Mundo. Não foi à toa que a seleção alemã entrou com campo contra o Brasil usando seu segundo uniforme, inspirado no time carioca. E parece que deu certo. A versão rubro-negra contribuiu para os mais de dois milhões de camisas vendidas, o dobro da seleção patrocinada pela marca que ocupa a segunda posição nas vendas: a Argentina.

“A final da Copa não podia ser melhor para a gente. Nosso sonho se realizou com Alemanha e Argentina na final, estamos muito felizes com o resultado”, disse o vice-presidente sênior de futebol do grupo, Markus Baumann. Juntas, as nove seleções da Adidas — Argentina, Alemanha, Espanha, Rússia, Bósnia, Colômbia, México, Japão e Nigéria — venderam mais de oito milhões de camisas em todo o mundo e ajudaram a fabricante de artigos esportivos bater a meta de faturamento de € 2 bilhões.

Embora alguns executivos digam que a ideia surgiu apenas da estratégia de associar a seleção a algo característico do país sede do Mundial, para os especialistas ouvidos pelo Brasil Econômico, essa foi uma estratégia de marketing muito bem pensada.

“A seleção é uma marca. A estratégia de associá-la ao Flamengo, a maior torcida do Brasil, apesar de arriscada, foi muito bem pensada”, diz o consultor e professor de estratégia do IBMEC Minas, Carlos Gustavo Caixeta.

Além de aproximar ainda mais os alemãs da torcida brasileira, segundo Baumann, a ideia é também ajudar na maior internacionalização do Flamengo. “Já deu resultados, tanto é que as vendas da camisa da Alemanha cresceram muito fora do país, na comparação com a Copa passada”, ressaltou, sem informar os números de vendas de cada país.

Diretor líder do Projeto da Copa do Mundo da Adidas, Rodrigo Messias disse apenas que Rio de Janeiro e Brasília, onde há mais torcedores do Flamengo, concentraram as vendas por aqui. Além do Flamengo, a Adidas apoia mais quatro times brasileiros: Fluminense, Palmeiras, Sport Recife e Botafogo de Ribeirão Preto, e mais de 200 atletas. A empresa não descarta se associar a mais equipes brasileiras e já está de olho nas Olimpíadas de 2016.

A marca fabrica por aqui 30% dos calçados e 55% dos artigos têxteis que vende no país. A fabricante também produz localmente 100% dos protudos dos cinco times que patrocina.
Mas as estratégias de marketing da seleção alemã — que usa até o big data em campo — não param por aí. Além de já ser chamada por muitos de “Flalemanha”, eles parecem ter conquistado o título de “miss simpatia” da Copa. “Eles estudaram muito bem a cultura do país.

Os jogadores são bons, mas costumam ser mais fechados. Mostraram ser um poucos brasileiros na casa do Brasil”, ressaltou o especialista em gestão de marcas, Antônio Carlos Morim. Além dos vídeos postados no site oficial da DFB — um deles mostrando momentos da seleção no país ao som de “Tieta”, música de Caetano Veloso —, os jogadores foram vistos na praia, dançaram com índios e postaram fotos com torcedores nas redes sociais.

“Muda-se uma percepção com palavras e ainda mais com atitudes. Aparecer nas redes adiciona ainda o aspecto viral às atitudes”, destacou Caixeta. Outro sucesso da Copa, também fabricado pela Adidas, é a bola Brazuca. Foram comercializadas mais de 14 milhões de unidades em todo o mundo, um milhão a mais do que a bola do Mundial passado, a Jabulani. No final de junho chegou às lojas de todo mundo a bola especial da final da Copa, com as cores verde e dourado, inspirada na taça do mundial. No Brasil, o item não sai por menos de R$ 400.

Segundo Baumann, a América Latina é onde a empresa mais cresce na última década, sendo o Brasil o principal mercado. “Saímos de € 160 milhões para € 1,6 bilhão em vendas em 2013. São dez anos de crescimento de dois dígitos. Nossos artigos esportivos ligados ao futebol são os carros-chefe”, disse. Para atender à demanda do Mundial, a Adidas abriu 30 lojas próprias no Brasil, nos últimos 18 meses.

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