Gol tem salto de 21% nos bônus impulsionada por redução de voos

Dois anos após demitir cerca de 20% de seus funcionários e reduzir os voos em 15%, empresa reduziu os prejuízos líquidos em mais da metade

Por marta.valim

Os aviões da Gol Linhas Aéreas Inteligentes SA nunca transportaram tantos passageiros. Isso está se traduzindo em um bom negócio para os investidores em bônus da maior companhia aérea do Brasil.

Seus US$ 500 milhões em notas vêm subindo desde 13 de agosto, quando a Gol superou as estimativas de receitas dos analistas pelo quinto trimestre seguido e disse que registrou uma ocupação recorde de 81,2% dos assentos de seus aviões em junho e julho. Isso impulsionou os retornos dos bônus da companhia aérea com sede em São Paulo para 21% neste ano, o triplo da média dos mercados emergentes, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Dois anos após demitir cerca de 20% de seus funcionários e reduzir os voos em 15%, a Gol reduziu os prejuízos líquidos em mais da metade. A Moody’s Investors Service elevou a perspectiva da Gol para positiva, neste mês, dizendo que poderá aumentar o rating da empresa, atualmente B3, o sexto mais baixo nível junk.

“A companhia tem feito sua lição de casa e está em uma tendência positiva”, disse Carlos Gribel, diretor de renda fixa da Andbanc Brokerage LLC, por telefone, de Miami. Os rendimentos dos US$ 300 milhões em notas da Gol com vencimento em 2020, que caíram para 8,5% em relação a um pico de 14,3% em setembro, poderão ter um declínio de mais 1 ponto porcentual se os resultados continuarem melhorando, segundo Gribel.

‘Nível diferente’

“O movimento dos bônus reflete a melhora da perspectiva para a companhia”, disse o diretor financeiro da Gol, Edmar Lopes, por telefone. “Isso mostra que estamos em um nível diferente agora”.

A companhia aérea disse que seu prejuízo líquido encolheu para R$ 174 milhões (US$ 77 milhões) no segundo trimestre, contra R$ 715 milhões no mesmo período, dois anos atrás. Sua receita subiu para R$ 2,4 bilhões, superando as estimativas dos analistas, que previam R$ 2,2 bilhões. A empresa transportou mais passageiros em seus aviões durante a Copa do Mundo, quando os analistas estavam preocupados de que uma queda nos passageiros executivos deixasse mais assentos vazios.

Carlos Legaspy, que gerencia cerca de US$ 350 milhões em dívidas de mercados emergentes na InSight Securities, disse que os custos do combustível estão entre as razões pelas quais ele está evitando os bônus da Gol.

Os custos da Gol aumentaram 20 por cento no segundo trimestre, em relação a um ano atrás, depois de um salto de 13% nos preços do combustível, de uma queda do real e de uma aceleração na inflação.

“Eu fico longe das companhias aéreas”, disse Legaspy. “Trata-se de uma confluência entre uma demanda elástica, uma alta porcentagem de custos fixos e um insumo muito volátil, que é o combustível. Todas essas coisas podem conspirar para uma situação muito ruim”.

Perspectiva de crescimento

Em um relatório de 7 de agosto, a Moody’s disse que a Gol implementou “ajustes significativos de capacidade” que equilibraram sua receita em meio a um crescimento econômico mais fraco no Brasil.

A maior economia da América Latina se expandirá 0,79 por cento neste ano, contra 2,5 por cento em 2013, segundo a estimativa média dos analistas em uma pesquisa do Banco Central, divulgada hoje.

Em 13 de agosto, a Gol reafirmou suas metas de margens operacionais entre 3 por cento e 6 por cento. A medida foi de 3,7 por cento nos seis primeiros meses do ano, mais que o dobro do total de 1,7 por cento do primeiro semestre de 2013.

“Eles estão indo bem”, disse Revisson Bonfim, diretor de análise de mercados emergentes da Sterne Agee Leach Inc., por e-mail. “Os bônus já subiram bastante, mas o mercado continua negociando com um viés positivo. O desempenho dos bônus deve seguir o desempenho operacional”.

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