Artesanato brasileiro ganha aval Versace

Rede Asta, que reúne profissionais em todo o país, fechou parceria com a estilista Francesca Versace, que desenvolveu uma estampa especial para o projeto social

Por monica.lima

Um grupo de pequenas empreendedoras artesãs receberam o “auxílio luxuoso” da estilista e designer italiana Francesca Versace, sobrinha de Donatella Versace, que criou uma estampa exclusiva para uma linha de produtos da Rede Asta. Criada em 2005, a rede é um negócio social que reúne mais de duas mil mulheres de comunidades de baixa renda do Rio e de outras partes do país. Os produtos são feitos à mão e levam em conta conceitos de design, sustentabilidade e aproveitamento de materiais recicláveis.

Alice Freitas, responsável pela Rede Asta, lembra que a parceria com Francesca Versace surgiu a partir do interesse da estilista em relação ao trabalho de mulheres artesãs. “A Womanity Foundation, fundação suíça que apoia o crescimento e desenvolvimento de empreendedores sociais que trabalham pelos direitos e empoderamento das mulheres, fez um trabalho com a Francesca e, durante esse projeto, percebeu que a designer era engajada em causas das mulheres. Vendo o entusiasmo dela, os organizadores perguntaram se Francesca se interessaria em fazer uma parceria com a Rede Asta e ela aceitou na hora” explica Alice. “Depois de muita conversa foi decidido que ela criaria a estampa e a Rede Asta, os produtos, junto com os grupos produtivos. A equipe de desenvolvimento de produtos da Asta cuidou de cada item”, completa.

A linha Forget me Not — Rede Asta por Francesca Versace tem até agora 400 peças exclusivas produzidas. Os grupos de artesãs estão esperando por mais encomendas. A coleção terá produtos à venda até março de 2015.

“Para esse projeto mobilizamos seis dos cerca de 60 grupos que hoje fazem parte da Rede Asta em todo o país. Isso significa que destacamos em torno de 65 artesãs para este trabalho. Esses produtos estão em nossos canais de venda, que são a nossa nossa loja física, em Laranjeiras, na cidade do Rio de Janeiro, e o e-commerce”, diz Alice.

Segundo ela, a Rede Asta tem parcerias com empresas e instituições como o Instituto Coca-Cola e a Apex Brasil, e também com designers brasileiras como Mana Bernardes e Monica Carvalho.

De acordo com pesquisas sobre o setor, existem 8,5 milhões de pessoas que trabalham na atividade no país e movimentam o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

A Apex Brasil, uma das parceiras da Rede Asta, juntamente com o Sebrae Nacional, encerrou este mês uma fase do Projeto Comprador, que visa a aproximação de artesãos brasileiros com lojistas de países como França, Estados Unidos, Suíça e Alemanha. Os representantes destas empresas visitaram mais de 80 artesãos de Minas Gerais e Pernambuco, para fazer negócios e importar o que é produzido por eles.

O objetivo foi o de fechar negócios imediatos no Brasil, com a visita presencial a locais selecionados pelo Sebrae e pela Apex, e manter o volume de encomendas por cerca de 12 meses. Os produtos brasileiros serão vendidos em lojas de departamento e museus destes países, além de galerias de arte, pequenos centros comerciais e butiques.

ENTREVISTA
FRANCESCA VERSACE
Estilista e sobrinha de Donatella Versace

Por que a Versace investiu nessa parceria?

Viajei primeiro para o Brasil em 2007, com minhas amigas de Londres, e me apaixonei pelo país. Fiquei impressionada com o artesanato local também. Foi quando veio a oportunidade de colaborar com a Rede Asta. Senti-me muito privilegiada em poder contribuir com mulheres brasileiras artesãs, criativas e talentosas, em um empreendimento que irá ajudá-las a ganhar uma renda decente a partir de seu ofício e deixar a pobreza. Tem sido muito gratificante e significativo trabalhar com a equipe da Rede Asta durante todo o projeto, desde a impressão da estampa para os produtos até o plano de marketing e comunicação.

Quais são os propósitos da parceria?

Queremos aumentar a visibilidade e popularidade da marca Rede Asta, a fim de acelerar seu crescimento e expansão, com a equação mais vendas, mais trabalho, mais renda. E aumentar a adesão de mulheres artesãs para além da abordagem da Rede Asta.

Há algum projeto de entrada dos produtos feitos aqui no mercado internacional?

Isso é difícil para mim julgar, porque é preciso mais do que um produto bom para ir ao mercado internacional. Neste momento, acredito que a Rede Asta decidiu focar no mercado interno brasileiro, que tem um enorme potencial. É um grande mercado para crescer e cultivar uma atitude de consumo responsável, solidário e o apreço pelo talento local. Um bom desempenho no Brasil vai abrir muitas opções para a Rede Asta.

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