Telecom Italia quer comprar a Oi ou aproveitar fusão da tele com a TIM

Depois de perder disputa pela GVT, Telecom Italia avalia aquisição da Oi ou fusão da operadora brasileira com a TIM

Por bruno.dutra

Rio - O presidente da Telecom Italia, Marco Patuano, afirmou na última sexta-feira que a companhia tem a obrigação de aproveitar uma possível oportunidade de aquisição da Oi ou de fusão da operadora brasileira com a TIM. Numa teleconferência com analistas de mercado para apresentar resultados dos nove primeiros meses deste ano, o executivo reafirmou que a tele italiana pretende manter sua operação no Brasil, mas estaria disposta a se desfazer da TIM caso surja oferta de valor adequado. Além da questão do preço, Patuano citou como pré-condição para o negócio a não transferência pelo comprador de quaisquer riscos regulatórios para a Telecom Italia.

“É obrigatório explorar a possibilidade de uma oportunidade estratégica tão grande mas, como já disse antes, a disciplina financeira e a criação de valor para o acionista são o nosso Polo Norte”, disse o CEO da Telecom Italia, ao responder uma pergunta sobre o interesse por uma fusão, aquisição ou joint venture com a Oi. Apesar do interesse pela concorrente brasileira, Patuano frisou que a Telecom Italia vai manter sua disciplina fiscal combinada com uma “abordagem racional” em relação às fusões e aquisições. “Não estamos desesperados, não desejamos fazê-lo a qualquer custo. Podemos manter nossa estratégia. Se houver uma oportunidade, vamos aproveitá-la”. Em setembro, a Telefónica adquiriu a GVT, depois de vencer uma disputa com a Telecom Italia. Derrotada, a operadora teria na compra da Oi uma alternativa para reforçar seus ativos no Brasil, principalmente nos segmentos de banda larga e telefonia fixa, além de entrar no negócio de TV paga. Procurada para comentar as declarações de Patuano, a Oi optou por não se manifestar sobre o tema.

Sobre a possibilidade de venda da TIM, que no terceiro trimestre deste ano respondeu por 29% das receitas do grupo, Patuano reiterou que o “Plano A” é manter a operação brasileira da maneira como está. “Há um preço para tudo, mas a nossa estratégia básica é permanecer lá (no Brasil)”, disse o executivo. “É um absurdo dizer que não há um preço para essa opção (de venda da TIM)”, disse. A empresa tem sido alvo de especulações nos últimos meses, principalmente com relação à possibilidade seus ativos serem vendidos separadamente às concorrentes.

Embora não tenha arriscado qualquer projeção de valor para uma eventual venda da TIM, Patuano disse que a transação — caso ocorresse — teria como referência outras operações realizadas no mercado brasileiro. “Acho que agora há um bom número de benchmarks (referências) de transações no Brasil e, quem quer que queira se aproximar de nós, precisa encarar esses benchmarks.” Outro fator importante em qualquer negociação envolvendo a TIM seria, segundo ele, a questão do risco. “Aquele que apresenta a oferta tem de vir também com a solução para os riscos regulatórios, que não podem ser transferidos para nós”, argumentou o CEO da Telecom Italia.

De janeiro a setembro deste ano, a Telecom Italia obteve uma receita consolidada de 15,97 bilhões de euros, montante 9,1% inferior ao registrado no mesmo período de 2013. O Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado somou 6,58 bilhões de euros nos nove primeiros meses do ano, um recuo de 7,7% na comparação anual. No terceiro trimestre deste ano, o Grupo Telecom Italia apresentou lucro de 583 milhões de euros, ante um resultado positivo de 613 milhões de eutros em igual período de 2013. No acumulado dos nove primeiros meses de 2014, o lucro atingiu o patamar de 1,41 bilhão de euros, revertendo a perda de 611 milhões de euros registrada entre janeiro e setembro do ano passado.

“Os sinais de mudança provenientes do mercado doméstico são agora uma realidade: superamos a ‘guerra de preços’, rebatendo os argumentos daqueles que previram que a concorrência no setor seria baseada unicamente em cortes de preços constantes, o que teria trazido nada além de um declínio, com nossa política baseada na qualidade do serviço”, justificou Patuano, referindo-se ao mercado italiano.

Com relação ao Brasil, o executivo afirmou que o forte crescimento das receitas provenientes de serviços de dados é um fator que faz a empresa avaliar a possibilidade de um aumento nos investimentos para 2015.

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