Por monica.lima

Rio - Não é mais só de frutas, legumes e verduras que vive a rede capixaba Hortifruti. Os tradicionais itens do “sacolão”, apesar de ainda serem responsáveis por mais de 50% do faturamento da empresa — em 2014 de R$ 960 milhões —, hoje dividem as gôndolas com um crescente número de produtos de açougue, mercearia e frios, além de sucos naturais, ingredientes para o cliente montar sua salada e até as famosas paletas mexicanas.

E é justamente essa diversificação de portfólio — atualmente já são mais de 3,5 mil itens — combinada a um forte plano de expansão por Rio, São Paulo e Espírito Santo, que vão ajudar a rede a superar a meta de faturar mais de R$ 1 bilhão em 2015. O Hortifruti planeja cinco nova unidades ainda esse ano, sendo duas no Rio, outras duas em São Paulo e mais uma no Espírito Santo, seu estado de origem.

“Ano passado foi um ano muito bom. E também tivemos um primeiro trimestre de 2015 positivo, atingindo nossos planos. A tendência daqui para frente é continuar a crescer e a gerar empregos”, diz o CEO da rede, Antero de Filippo Junior. Segundo ele, a cada inauguração são geradas cerca de 140 vagas diretas.

A crise econômica que o país atravessa parece não assustar a empresa, que cresceu 14% no ano passado, com o benefício, ressalta o CEO do Hortifruti, do amadurecimento das lojas inauguradas ao longo de 2012 e 2013.

“O cenário econômico brasileiro já mostrava desde o ano passado que o primeiro trimestre deste ano seria difícil, com previsão de queda do PIB. Mas nós crescemos mais do que a inflação no primeiro trimestre, próximo de dois dígitos. É um índice muito bom. Acho que poucos varejistas tiverem uma expansão assim”, pondera o executivo.

Além da consolidação nos mercados de Rio de Janeiro e São Paulo, que Filippo ressalta ainda terem muito espaço para crescimento, no horizonte da empresa estão outros projetos, como o lançamento de uma marca própria — uma tendência de mercado. A expectativa é que a novidade chegue nos próximos dois anos.

De acordo com o CEO do Hortifruti, o foco serão os perecíveis e a mercearia, esta última uma área que está em pleno desenvolvimento pela empresa e deve receber, em breve, mais de 80 novos produtos, todos voltados para os setores de orgânicos e linhas diet/light.

“Já temos algumas propostas para o desenvolvimento da marca própria. Os fornecedores vêm nos procurar. Mas temos o cuidado de não colocar a nossa marca em nenhum produto que não tenhamos a certeza de garantias de qualidade e de abastecimento”, ressalta.

O Hortifruti, que hoje tem a maior parte das lojas concentradas no estado do Rio, também planeja, no longo prazo, a chegada em outros mercados. Segundo Filippo, estados como Minas Gerais e a cidade de Brasília já foram mapeados para uma possível expansão.

“Primeiro, temos que nos consolidar no Rio e em São Paulo. As lojas de São Paulo já tem a maior taxa de crescimento da empresa. Estamos muito satisfeitos. Sempre crescemos de forma sustentada e vamos continuar dando passos do tamanho das nossas pernas”, diz. “A entrada em um estado estratégico não se dá em um ou dois anos, tem que ser pensada com muita antecedência”, completa ele.

O CEO do Hortifruti diz considerar a abertura de capital um caminho inevitável, mas prevista para o longo prazo. Por enquanto, a rede descarta a entrada de um novo sócio e todas as lojas novas são planejadas com capital próprio. “Abrir capital sim, mas nosso plano é futuro. É um processo longo, mas é natural para uma empresa que quer crescer, desenvolver e chegar a outros estados”, ressalta.
Com 26 anos, o Hortifruti tem hoje 31 lojas, mais de 600 fornecedores e 5,5 mil colaboradores. A rede possui ainda dois centros de distribuição em Cariacica (ES) e Duque de Caxias (RJ), além de operações no Ceasa (RJ) e Ceagesp(SP).

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