Ceticismo esfria apetite por ações da produtora de destilados Diageo

Após disparada com os rumores de que o fundo 3G Capital estaria estudando a compra da britânica, papéis fecham em queda

Por diana.dantas

As ações da produtora de destilados Diageo chegaram a avançar 7% ontem, o segundo dia de rali de seus papéis que, na sexta-feira passada, chegaram a alcançar o valor de £ 118, reagindo à notícia de que o bilionário Jorge Paulo Lemann e seus sócios na empresa de private equity 3G Capital estariam considerando uma potencial oferta para comprar a empresa dona das marcas de vodca Smirnoff, do uísque Johnnie Walker e da tequila Don Julio.

No entanto, ontem, analistas do mercado jogaram um balde de água fria na expectativa, uma vez que, se realmente for feita uma oferta, ela não deve acontecer em um futuro próximo, já que a aquisição estimada em U$S 73 bilhões — que inclui um prêmio de 30% em relação ao preço dos papéis da Diageo — teria que ser aprovada por autoridades regulatórias no Reino Unido. Por conta disso, e também pelo ceticismo de boa parte do mercado, os papéis da britânica fecharam em queda de 2,5%, cotados a £ 114,98.

Segundo o jornal “Wall Street Journal”, um cenário mais provável seria o 3G apoiar a aquisição da Diageo através da Anheuser-Busch InBev, maior cervejaria do mundo, em que o fundo dos três brasileiros detém uma participação substancial.

“O que pode ser mais provável é que a 3G estude apoiar uma investida pela Diageo por parte da AB InBev, na qual Lemann e Telles têm fatias substanciais”, disse a consultoria Jefferies, acrescentando que a AB InBev pode ver sinergias em vender cerveja e destilados.

Mas mesmo essa tese esbarra no argumento de que as duas operações — de comercialização de cervejas e de destilados — são completamente distintas. Pode ser que por trás do suposto interesse esteja a marca de cerveja Guiness, que seria um “abre-portas” para o portfólio da Inbev na África, onde a irlandesa já fincou o pé e tem boa participação. Mas é pouco provável que a Diageo tenha interesse em se desfazer dessa marca, já que ela a ajuda a vender destilados.

Os três empresários brasileiros ajudaram a transformar a Anheuser Busch InBev na maior cervejaria do mundo. Eles realizaram posteriormente aquisições do Burger King e da Heinz e agora estão fundindo a Heinz com a Kraft Foods.

A aquisição da Diageo seria a maior na história e muito além de tudo que o 3G já fez, disseram analistas da Jefferies.

A Diageo,que produz ainda o gim Tanqueray, se recusou a comentar a notícia. A AB InBev, sediada na Bélgica, que também não estava disponível imediatamente para comentar, faz aquisições com frequência e é há tempos alvo de rumores de que estaria analisando a compra da cervejaria rival SABMiller.

A Diageo é menor que a SABMiller, o que facilitaria o pagamento de um acordo, e também ofereceria oportunidades de melhoria de margens por meio de cortes de custos, disseram analistas da Bernstein, acrescentando que também há partes da Diageo que poderiam ser vendidas para repagar dívidas.

As ações da Anheuser-Busch fecharam em queda de 3,9% ontem, a £ 120,59. Quase todas as ofertas recentes relacionadas a alimentos e bebidas do 3G envolveram o Berkhshire Hathaway, de Warren Buffett. Com agências

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