Os sonhos dos jovens

Uma pesquisa com 6.700 jovens entre 18 e 30 anos, a chamada “geração do milênio”, de América Latina, Estados Unidos e Europa Ocidental, mostrou que a juventude está otimista e confia que dias melhores virão

Por bruno.dutra

Mas, a educação é uma grande preocupação para 60% destes jovens. A corrupção (56%) e o sistema de ensino (42%) são citados, globalmente, como os principais obstáculos para o crescimento. No Brasil, 46% dos entrevistados disseram que a corrupção é o principal problema a ser enfrentado aqui e no mundo. E para 70%, o sistema de ensino é o principal aspecto da infraestrutura que o governo deve se concentrar em melhorar. O recado está dado para o novo presidente. É hora de realizar os sonhos dos nossos jovens. Eles são o futuro da economia, e da política, do Brasil.

Os jovens estão confiantes no futuro: 72% dos latino-americanos acreditam que os melhores dias de seu país estão por vir. Os que vivem nos Estados Unidos (51%) e na Europa Ocidental (50%) compartilham com esta opinião. E 72% concordam que há oportunidades em seus países para se tornarem empreendedores.

Esta pesquisa, Millennials da Telefónica de 2013, realizada pela Telefónica, divulgada semana passada pela Telefônica/Vivo, mostra o retrato de um jovem brasileiro otimista (94%), satisfeito com sua vida (87%) e que acredita que dias melhores virão (76%). São também confiantes, 71% acham que podem fazer a diferença localmente e 51% acreditam que suas próprias trajetórias podem gerar impactos positivos globalmente. Estão conectados, e para mais da metade dos entrevistados (55%), a melhor forma que os jovens têm para ajudar a fazer a diferença em suas comunidades locais é usar redes sociais como instrumento para documentar, denunciar e divulgar.

É muito animador ler o que está por trás destes números. Estamos observando o retrato de uma geração de jovens que confiam em si mesmos, que apostam na educação para melhorar suas vidas, que estão dispostos a construírem seus futuros, mas que vão cobrar as políticas públicas que possibilitem as melhorias que eles acham necessárias. É uma geração que trabalha com a ideia de que cada um faz a sua parte, e de ser parte de um todo que pode modificar as coisas. Como cada gota do oceano, que, juntas, formam uma grande onda, capaz de modificar cenários inteiros.

Nossos jovens estão focados e sabem o que querem. Convidados a imaginarem como estariam em dez anos e o que gostariam de ter nesse caso, 20% ambicionam o próprio negócio, e 17% preferem se dedicar ao sonho de comprar uma casa. Casar e ter filhos só são prioridade para 7% e 8%, respectivamente. Estas escolhas me fazem pensar que estamos vendo uma geração de consumidores jovens mais conscientes, mais críticos, que pensam mais no longo prazo.

Porém, se nossos jovens não tiverem oportunidade de realizar estes sonhos no Brasil, não se importam de procurar novos horizontes. A perspectiva de trabalhar no exterior entusiasma a 77% da geração milênio. O jovem brasileiro quer estudar, encontrar um bom emprego, trabalhar e influenciar na vida brasileira. Mas se o Brasil não investir pesadamente em educação, vamos perder esta mão de obra.

A pesquisa dá outras dicas para o nosso próximo presidente. No que diz respeito à educação, 75% dos entrevistados brasileiros se mostraram insatisfeitos com o sistema de ensino. Este índice está acima da média da América Latina, que é de 57%. E eles dizem que os três primeiros itens relacionados à educação que precisam melhorar são acesso à tecnologia (72%), qualidade dos professores (70%) e universalização do ensino (68%).

Os jovens brasileiros são otimistas sobre o futuro, mas suas preocupações sobre educação e corrupção são mais fortes que as verificadas em outras regiões do mundo. Na avaliação de 46% dos entrevistados no país, a corrupção é o principal problema a ser enfrentado pelo Brasil e pelo mundo e 83% dizem que ela é o maior empecilho para o crescimento do país, ao lado de desigualdade social (59%), inflação (56%) e lideranças políticas (49%).

Já ouvi os dois candidatos à presidência prometerem nos programas eleitorais os três pontos citados na pesquisa para a melhoria do ensino, o combate à corrupção, a queda da inflação e a continuidade da diminuição da desigualdade social. Ou seja, o rei está nu, está todo mundo vendo, e todos sabem o que é preciso para melhorar o Brasil. Mas tem que melhorar. Esta é a questão. Não dá mais para ficar empurrando com a barriga. E nem é preciso mudar ninguém de cargo nenhum, na verdade. Afinal, são todos um pelo outro e não quero troco.

O que precisa mudar é a responsabilidade com o cargo, é fazer bem o que se propõe a fazer, e não pensar no cargo como uma fonte de renda. Dinheiro público é para pagar ações pelo bem público. Cada político deve querer uma escola pública na qual ele colocaria o filho dele, com orgulho. Cada político deve querer e trabalhar por uma saúde pública na qual ele mesmo seja tratado. Cada político deve querer que seus filhos lutem por oportunidades iguais no mercado de trabalho, sem indicações políticas.

É como não jogar lixo na rua. Se cada um não jogar nenhum lixo, teremos cidades limpas, bueiros menos cheios, rios menos assoreados e mais limpos, maior riqueza de fauna e flora. Se todos forem honestos, não corromperem e não se deixarem corromper, se todos apostarem na educação e no otimismo, vamos fazer um Brasil melhor. Este já é o sonho dos nossos jovens. Que o candidato que ganhar cumpra o que prometeu e que todos os sonhos dos nossos jovens se realizem.

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