Centro de Artes UFF se firma como espaço de cultura alternativa

Local oferece ampla programação cultural todos os dias da semana

Por marina.rocha

Niterói - Conhecer uma exposição, emendar em uma sessão de cinema e ainda terminar o dia assistindo uma peça de teatro... não necessariamente nesta ordem, claro! Tudo isso é possível em uma tarde ali em Icaraí, pertinho do MAC, no Centro de Artes UFF, onde se consome cultura e da boa. Depois de passar por reforma - ficando fechado por quatro anos - o equipamento vem ganhando cada vez mais frequentadores. Nos primeiros meses após a reabertura (julho/2014) o Centro recebia cerca de 700 visitantes por semana, hoje esse número aumentou para 5 mil. As atividades acontecem todos os dias da semana, em diversos horários.

Criançada tem frequentado o espaço usando fantasiasDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

“O público está redescobrindo o espaço. O Centro, mais que um local que reproduz programação, tem uma proposta reflexiva. Nós nos preocupamos com a formação de arte e cultura e queremos atender à comunidade trazendo programação de muita qualidade, que enriqueça o dia a dia”, explicou o professor supervisor Leonardo Guelman.

O cinema é o único da cidade que traz em sua programação filmes que fogem do circuito comercial. Por lá, por exemplo, passaram todos os longas que concorreram ao Oscar 2015. E as cadeiras são sempre bem disputadas. Pessoas de todas as idades lotam os 289 lugares da sala.

“Eu já vinha antes da reforma e agora voltei a frequentar. Aproveito toda a programação disponível. É um órgão público que oferece um trabalho de qualidade, que tem que ser valorizado mesmo. O cinema daqui é o melhor da cidade com programação diferenciada. Posso vir e assistir a quatro filmes no mesmo dia”, destacou o morador de Icaraí Tom Neumann, de 50 anos.

Os universitários já têm quase que cadeira cativa. Os amigos Saulo Portugal, 22, Rafael Melo, 20, Gabriel Melo, 21, Felipe Tavares, 22, e Wanderson Roberto Soares, 21, saem de São Gonçalo para curtir o espaço. No último fim de semana foram assistir o filme Whiplash.

“É um lugar excepcional. O cinema tem boa acústica, sistema de som de qualidade e ótima imagem. Deveríamos ter espaços como esse em outros bairros”, disse Portugal.

E as crianças também têm vez. O pequeno Miguel Bittencourt, de oito anos, adora. “É ÓTIMO”, gritava cheio de empolgação. A mãe, Aline Bittencourt, 34, já levou o filho para assistir Os Músicos de Bremen e Histórias de um João de Barro, da Bia Bedran, que tem sua última apresentação hoje. A peça já teve até as visitas ilustres da Branca de Neve Clara Guimarães, 3, Bela Adormecida Gabriela Pedrosa, 3, Ana, Natália Mendes, 3, e até do Thor João Gabriel Rangel, 5.

Universitários vêm de cidades vizinhas para conferir a programação diferenciada Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

E antes de entrar para o teatro, as crianças aproveitam para se esbaldar no gramado. “Já é a terceira vez que a gente traz a Natália aqui. Tem um preço acessível, é bem legal. Só falta uma lanchonete e também acho que poderia ter mais programações infantis”, destacou a agente administrativa Andréia Martim, 37, mãe da ‘Ana’(personagem de Frozen).

Segundo o supervisor Guelman, a cafeteria não demora a chegar. Já teve a licitação e tudo deve estar devidamente instalado em abril. Ali do lado também tem a Livraria Icaraí, uma ‘perdição’ para os amantes da leitura. E uma notícia boa para a galera da internet é que o wi-fi já está liberado.

Som erudito, preço popular

A sala de cinema do Centro é reversível e aos domingos se transforma em palco para receber concertos do projeto ‘Música aos Domingos’, que a cada semana tem um grupo convidado. O Conjunto Música Antiga da UFF é a atração de hoje. A partir das 10h30, ele mostra toda peculiaridade da música clássica no lançamento do CD duplo “Milagres de Santa Maria”.

É o nono trabalho do grupo que tem mais de 30 anos de existência. Os músicos usam instrumentos antigos e bem pouco conhecidos como o saltério (cordas) e o krummhorn (sopro). O chefe de divisão de música de câmara da UFF, Robson Leitão, não poderia estar mais feliz com o momento do Conjunto. “A reforma foi um grande ganho para nós e para o público. Estamos realizando uma média de seis concertos por mês. O Centro de Artes é o único lugar que tem música clássica acontecendo toda hora”, comemora.

O projeto se repete toda semana, no mesmo horário, sempre com um grupo de música erudita. A entrada custa R$ 10.

Sala de cinema tem 289 lugares e está sempre lotada. Em cartaz%2C apenas filmes fora do circuito blockbusterDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Programe-se

Neste domingo tem as últimas apresentações dos espetáculos Histórias de Um João de Barro, às 17h, e Deixa Clarear, às 20h. Na próxima semana, entra em cartaz a peça Cabaré Dulcina. E até o dia 2 de abril, às quartas e quintas, às 20h, é possível assistir Um Não Sei Quê Não sei Onde. Os ingressos custam R$ 30.

O Centro promove o UFF Debate Brasil, que realiza rodas de discussões com temas sempre recentes. A próxima será sobre a crise hídrica no Rio de Janeiro, no dia 24 de março, às 19h. Entre os convidados está o vice-prefeito Axel Grael.

No cinema estão em cartaz os filmes: O Lobo Atrás da Porta: 15h. Timbuktu: 17h. A História da Eternidade: 19h. Amor, Plástico e Barulho: 21h20. Toda segunda-feira o ingresso custa R$ 4 para todo mundo, em qualquer horário. Nos outros dias o preço é R$ 12 a 'inteira'.

Até o dia 19 de abril, o público também poderá visitar de graça as exposições Alguma coisa atravessa pelos poros, de Andréa Facchini, e Invisíveis, de Klacius Ank.

Reportagem de Marina Rocha

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