Estudo mostra que a cidade não está preparada para receber temporais

Pesquisa apontou a região Norte como a mais problemática

Por marina.rocha

O hidrômetro da UFF foi o primeiro a fazer a medição das tempestades Carlo Wrede / Agência O Dia

Niterói - Niterói não está preparada para receber um volume de chuva acima de 40 milímetros. Essa é a conclusão da tese de doutorado Análise de Dados Pluviométricos para Prevenção de Riscos de Instabilidade de Encostas da aluna da (UFF) Priscila Luggeri Gomes defendida há dois meses.

Segundo o estudo, que monitorou as chuvas na cidade entre 2012 e 2014, sempre que Niterói recebe esse volume de água há deslizamentos nas encostas. O trabalho acadêmico apontou a região Norte como a mais problemática. E foi justamente lá que as sirenes do Sistema de Alerta e Defesa Civil tocaram sábado (dia 7), mais precisamente na comunidade Coronel Leôncio, no Viçoso Jardim e Morro do Estado.

De acordo com a coordenação da Defesa Civil de Niterói foram registrados índices pluviométricos de 67 milímetros na Coronel Leôncio, 74,4 no Morro do Estado e 49,4 no Viçoso Jardim. Os moradores foram retirados de casa e orientados a seguir para os pontos de apoio da região.

“Acionar as sirenes não é o suficiente. Toda a população deve estar orientada para agir em casos como esses, mas é preciso remover as pessoas desses lugares e fazer obras de melhorias”, avalia o professor do Departamento de Engenharia da UFF, o engenheiro civil Elson do Nascimento.

Ele é um dos autores do Plano Municipal de Redução de Risco de Instabilidade de Encostas e Inundação concluído em 2009 e que serviu de base para a tese de Priscila, da qual foi orientador. O estudo foi encomendado em 2006 pela prefeitura na gestão do ex-prefeito Godofredo Pinto (PT). Na época, a medição de chuvas era feita pelo hidrômetro da UFF, o primeiro da cidade. Segundo o professor, só para obras nas encostas o plano sugeriu investimento de R$ 19 milhões.

Outra sugestão apontada no trabalho foi a drenagem da estrada do Bumba. Um ano depois de sua conclusão, o morro desabou matando dezenas de pessoas. Foi uma das maiores tragédias que o estado do Rio já registrou. “A falta dessa drenagem pode ter sido uma das causas desse deslizamento”, completou.

"Mais importante é o escoamento"

Mas os problemas causados pelas fortes chuvas atingem também quem mora no asfalto, que sofre com os alagamentos. Foi o que aconteceu no último dia 7. Niterói registrou ainda engarrafamento em várias regiões. O congestionamento chegou à Rodovia Amara Peixoto e Ponte, ambos sentido Niterói.

Elson do Nascimento%2C da UFF%3A “Acionar as sirenes não é o suficiente.”Carlos Wrede / Agência O Dia

De acordo com a Defesa Civil de Niterói, a chuva começou às 18h e parou às 21h, tendo caído com mais intensidade entre as 19h e 20h. “O mais importante nessas situações (alagamentos) é o tempo que a água leva para escoar. Com o trabalho que a prefeitura vem realizando de limpeza de rios e canais, o escoamento está bem maior”, justificou o vice-prefeito de Niterói, Axel Grael.

Ele afirmou que há um projeto em fase de estudo sobre as áreas de risco da cidade e que,desde 2013, foram executadas obras de contenção em 14 pontos. Ainda segundo Grael, há melhorias sendo feitas e outras obras estão em fase de licitação. A prefeitura está tentando conseguir R$ 104 milhões junto ao Ministério das Cidades para investir em contenção de encostas. Segundo a prefeitura, essas obras abrangem de 80 a 100 pontos de risco.


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