Exposição no Centro Cultural dos Correios conta a história do Brasil

Entre os trabalhos selecionados estão imagens de Di Cavalcanti e Portinari

Por marina.rocha

O Centro Cultural Correios fica na Avenida Visconde do Rio BrancoEstefan Radovicz / Agência O Dia

Niterói - Parte da história do Brasil está contada em monumentais painéis de Di Cavalcanti, Cícero Dias, Carybé, Emeric Marcier e Enrico Bianco com oito metros de largura por três de altura. Juntos pela primeira vez, eles estão entre as 60 obras da Exposição Visões Cotidianas do Brasil Moderno no Centro Cultural dos Correios, no Centro de Niterói, até outubro.

Além das pinturas, a mostra tem aquarelas, gravuras e desenhos dos principais artistas nacionais como Candido Portinari, Djanira, Iberê Camargo, Guignard, Anita Malfatti, Cícero Dias, Carybé, Goeldi e outros.

As obras fazem parte da Coleção Banerj, extinto Banco do Estado do Rio de Janeiro, e agora pertencem ao acervo permanente do Museu do Ingá. Elas foram escolhidas entre os 876 trabalhos do lugar. Ao todo foram seis meses de labuta. O curador da exposição é Marcus de Lontra Costa.

“É um acervo muito importante da nossa arte e nossa história, e o destaque, sem dúvida, são os grandes painéis. Eles são impactantes não só pelo valor histórico, mas pelo tamanho”, conta o curador.

A Cena Campestre, de Enrico Bianco, mede 9 metros. Visão carioca, de Cícero Dias, tem 8 metros, assim como o Brasil em quatro fases, de Di Cavalcanti, essa dividida em quatro partes. “Elas foram transportadas de caminhão”, revelou Lontra.

E essas telas contam não apenas a história do Brasil, mas têm a sua própria. Elas foram feitas por encomenda do governador Carlos Lacerda, em 1965, para a festa do 4º Centenário da cidade do Rio de Janeiro. A ideia era que elas decorassem o Banco do Estado da Guanabara (BEG). Mas, em 1980, a iniciativa se transformou em política cultural da instituição, que fundou a Galeria de Arte Banerj, na Av. Atlântica, em Copacabana.

Em 1990, quando o Banerj foi extinto, um convênio da instituição com a Secretaria de Cultura do Rio passou o acervo para o estado e ficou determinado que ele ficaria no Museu do Ingá.

“A cultura é muito presente em Niterói, principalmente a arte contemporânea. Tanto que o MAC (Museu de Arte Contemporânea) virou o símbolo da cidade, por isso essa exposição combina tanto com Niterói, onde a tradição caminha integrada com o atual”, avalia Lontra, que aproveitou ainda para tecer elogios ao espaço dos Correios. “É o lugar perfeito para esse trabalho porque é lindo e está no Centro da cidade, o que vai atrair muita gente”, acredita.

Algumas obras têm oito metros de largura por três de altura e precisaram ser transportadas de caminhãoDivulgação

Entre os espectadores, Lontra espera que os estudantes aproveitem a oportunidade. “Essa coleção é fundamental para a área da educação, para se estudar história. Essas obras são documentos, é a interpretação do artista sobre uma época. Visitar a exposição vai ajudar o estudante a entender e a pensar e a história porque ensinar é isso”, concluiu o curador.

SERVIÇO

Visões Cotidianas do Brasil Moderno. Acervo Museu do Ingá, Coleção Banerj. Curadoria de Marcus de Lontra Costa.

Espaço Cultural Correios de Niterói. Avenida Visconde do Rio Branco 481, Centro. Tel.: 2622-3200. Até 3 de outubro. Aberto de segunda-feira a sábado, 10h às 19h. Grátis.

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