Por paola.lucas
Niterói - Moradores de Piratininga estão preocupados com novas construções que vêm se instalando atrás das casas da Avenida Almirante Tamandaré. De acordo com relatos, a ocupação começou a se intensificar há cerca de dois anos e não parou mais.
Casas construídas atrás da Avenida Almirante Tamandaré assustam%3A moradores têm medo de desabamento e de aumento da violência por láFoto do leitor

“Tenho medo de acontecer um deslizamento e varrer tudo pra cima da gente. Além disso, não sabemos quem está vindo morar aqui. Até ouvi dizer que a comunidade já tem até nome, é Recanto. Sem contar que desvaloriza os imóveis vizinhos”, contou uma moradora.

O relato confirma o que o Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos (Nephu), da UFF, constatou em 2011: a Região Oceânica é a que mais vem recebendo novos domicílios em assentamentos precários. Naquele ano, último em que o departamento fez um levantamento de casas construídas em encostas, foram registrados cerca de 41 mil construções em locais impróprios na cidade.

“Podemos estimar que cerca de 200 mil pessoas moravam em assentamentos. Isso acontece por conta da falta de alternativa da população mais pobre, que tem poucas políticas de habitações. Muitos não têm acesso à rede de água, ao esgotamento sanitário oficial e, em geral, não têm revestimento externos”, disse a professora e coordenadora do núcleo, Regina Bienenstein.

O Nephu dá assessoria técnica de construção às comunidades de baixa renda organizadas. Hoje estão trabalhando no Projeto Popular de Mama África, que propõe a adequação de uma casa antiga em São Domingos para moradia de 28 famílias que já estão lá em condições precárias. É uma ideia que pode se tornar referência na utilização de outros imóveis vazios para habitação de interesse social. Segundo o Nephu, pelo menos 20 casas do Centro poderiam ser usadas.

Cavalão é uma das 93 áreas de assentamentos precários da cidadeArquivo

Quanto à segurança, o comandante interino do 12º Batalhão, Major Guimarães, diz que as comunidades da cidade que mais têm ocorrências é Viradouro e Cubango. Ele afirmou que nunca ouviu falar desta nova comunidade em Piratininga. E acalma os moradores dizendo que, apesar do crescimento das que já existem na Região Oceânica, é uma região considerada tranquila. “Não tem o que fazer para conter o crescimento das comunidades, a polícia atua depois que vira problema”, explicou.

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A prefeitura informou que vem realizando investimento em projetos habitacionais, mas a prioridade é para famílias vítimas da tragédia do Morro do Bumba. Já foram entregues 374 unidades habitacionais no Fonseca e mais 2.120 unidades estão em construção nos bairros Baldeador, Caramujo, Badu, Ititioca e Fonseca. Investimento de cerca de R$ 194 milhões. Mas o órgão não se pronunciou sobre a nova comunidade de Piratininga.