Fornecedora para festas se reinventa e produz máscaras de tecido para sobreviver

Com o cancelamento dos eventos, Andréa Carvalho usou da criatividade e da habilidade manual para garantir renda à família

Por Irma Lasmar

'Doaria se pudesse, mas preciso trabalhar', diz a artesã, que faz entregas tomando cuidados para não se contaminar
'Doaria se pudesse, mas preciso trabalhar', diz a artesã, que faz entregas tomando cuidados para não se contaminar -
As máscaras de tecido ganharam destaque nesta pandemia de coronavírus. Coloridas e reutilizáveis, tornaram-se uma solução tanto para consumidores - que não conseguem adquirir o modelo descartável devido à sua escassez no comércio e ao custo considerado alto para quem usa diariamente - quanto para artesãos que fizeram da fabricação desse equipamento uma fonte de renda em meio ao isolamento social.
"Como trabalho com cartonagem, sublimação e papelaria personalizada para festas, além de estações gourmet, e com o decreto da quarentena tive 90% das encomendas canceladas junto com os eventos. Como meu marido é motorista de aplicativo de viagens e não está rodando, precisamos pensar em algo para gerar renda, e atualmente essa é a nossa única fonte para pagar as contas e fazer compras", conta a artesã Andréa Carvalho, da marca Mimos de Algodão, que utilizou os tecidos que já possuía em casa como material de trabalho.
No início da aparição e expansão do novo coronavírus, muitas pessoas não acreditavam na eficácia na máscara de pano, diante de tantas informações de fontes diversas não recomendando o produto. Com o tempo, as autoridades e os profissionais de saúde esclareceram que o equipamento com este material deve ser usado por, no máximo, cerca de duas horas e depois lavada com sabão e água sanitária para ser esterilizada. Depois de seca, está pronta para ser utilizada novamente. Sua validade é indeterminada.
"Desde 20 de março, quando comecei a fabricação, já vendi mais de cem unidades. Alguns clientes vêm aqui em casa buscar, outros pedem que eu entregue, e vou usando máscara e carregando álcool em gel. A roupa que venho da rua também é separada e lavada imediatamente. A exposição ao ambiente é um risco, mas tomo todos esses cuidados necessários. Com a restrição das estradas que ligam Niterói a São Gonçalo, perdi oportunidades de clientela, mas faz parte. Não tem jeito, é preciso conter a doença", diz Andréa, que mora no Largo da Batalha.
Quando é questionada sobre o valor cobrado, a artesã argumenta: "não posso falar do produto dos outros, mas da qualidade dos meus. Uso tecido de tricoline, 100% algodão, em duas camadas, conforme orienta o Ministério da Saúde. Nada de forro de TNT nem poliéster. Quando me pedem desconto, digo que a compra de duas ou mais unidades já inclui a 'necessaire' em plástico e zíper também feita por mim, que é muito útil para se carregar a máscara extra, já que a troca deve ser feira em duas horas. Entre as baratas de quatro reais e as caras de quinze reais, ofereço um preço no meio-termo", explica ela, que vende cada unidade a R$ 8. "Doaria se pudesse, mas preciso trabalhar".

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