Alex e Drielle são os donos dos rostos que se tornaram conhecidos do público que acompanha as 'lives' do prefeito nas redes sociais - Divulgação / Bruno Eduardo Alves
Alex e Drielle são os donos dos rostos que se tornaram conhecidos do público que acompanha as 'lives' do prefeito nas redes sociaisDivulgação / Bruno Eduardo Alves
Por O Dia
Niterói - Tendo em vista a gravidade da pandemia de coronavírus e a importância do acesso às informações relativas ao assunto, o prefeito Rodrigo Neves vem fazendo uso da tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) em suas transmissões diárias nas redes sociais. Os professores Alex Sandro Lins Ramos, 23 anos, e Drielle Hipólito de Moraes, de 25, são os dois intérpretes que se revezam na função. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Niterói possui uma população surda de mais de 5.500 pessoas e outras 20 mil com alguma deficiência auditiva.
“Os intérpretes são muito importantes para o acesso à informação do que está acontecendo na cidade, que possui uma população surda numerosa e politicamente engajada na luta por seus direitos”, disse Alex, que é guia-intérprete.
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“Muitos surdos tinham dúvidas com relação aos programas e projetos que foram estruturados pelo gabinete de crise para prevenção à Covid-19. Eles não sabiam que tinham direto aos auxílios da Prefeitura para mitigação da crise econômica advinda do isolamento social, nem como solicitar os benefícios. Os boletins acessíveis em Libras sanam essas dúvidas”, contou Drielle, graduanda de Letras/Libras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A medida foi aprovada pela pedagoga e professora de Libras Luciane Rangel Rodrigues, de 53 anos, filha de Miriam Rodrigues, a fundadora da Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes da Audição (Apada) em Niterói, entidade sediada em São Domingos que há décadas presta assistência a este segmento significativo da população niteroiense através do Sistema Único de Saúde (SUS), parcerias e doações.
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“É muito difícil ler os lábios do prefeito e das demais autoridades durante os pronunciamentos. Acompanhava apenas os textos postados nas redes sociais e nos jornais. Moro sozinha e estou isolada, pois pertenço ao grupo de risco por ser diabética. Detesto precisar que meus amigos ouvintes me ajudem a interpretar”, relatou Luciane.
O subsecretário de Acessibilidade, Bruno de Souza Teixeira, garante que, desde 2015, Niterói possui uma Central de Interpretação de Libras, à qual os surdos podem solicitar um acompanhante que seja intérprete ou tradutor de Libras quando precisam usar serviços públicos como marcação de consultas médicas, solicitação de emissão de documentos pessoais, cadastramento nos programas sociais do governo, consulta de situação de benefícios, auxílio na consulta de benefícios ao trabalhador, apoio à realização de denúncias no Disque 100 e demais canais de ocorrência policial, acompanhamento jurídico etc.