'É preciso um grande esforço da população no respeito ao isolamento e às medidas de prevenção para que o contágio realmente diminua, pois a Prefeitura está fazendo a sua parte' - Maria Álvares - Divulgação / Silvia Alencastro
'É preciso um grande esforço da população no respeito ao isolamento e às medidas de prevenção para que o contágio realmente diminua, pois a Prefeitura está fazendo a sua parte' - Maria ÁlvaresDivulgação / Silvia Alencastro
Por Irma Lasmar
Niterói - A antecipação de dois feriados municipais - o Dia de São João, padroeiro da cidade, de 24 para 15 de junho e o aniversário da cidade, de 22 de novembro para terça que vem, dia 16 - divide opiniões entre os comerciantes. A proposta da Prefeitura (Mensagem-Executiva nº 32/2020) aprovada pela Câmara de Vereadores na sessão plenária do último dia 9, visa a aumentar o isolamento social na cidade neste período ainda crítico da pandemia do novo coronavírus. O DIA ouviu lojistas e líderes da categoria em Niterói que exprimiram vários pontos de vista de quem vivencia e movimenta a economia da cidade. 
"Não entendi por que antecipar o aniversário da cidade, se o dia 22 de novembro cairia este ano em um domingo. Não faz diferença", dispara Maria Álvares, proprietária de uma boutique em Santa Rosa. "Quanto ao Dia de São João, seria preciso um grande esforço da população no respeito ao isolamento e às medidas de prevenção da doença para que até o dia 24 o índice de contágio realmente diminua para fazer valer a antecipação do feriado, pois a Prefeitura está fazendo a sua parte".
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"Mesmo não fazendo diferença para a economia neste momento trazer o aniversário da cidade, que cai domingo, para uma data dentro deste período em que ainda boa parte das empresas está paralisada, considero um grande ganho o fato de tirar um dos quatro feriados de novembro, que é um mês horrível para o comércio de Niterói. Aliás essa era uma luta nossa há muito tempo", diz Fernando Haddad, dono de uma loja de capas e almofadas no Centro. "Os feriados deste ano tinham que cair todos em domingos, porque estamos parados desde março. A economia municipal e nacional não vão suportar os próximos feriados".
Ghirlayne Ferreira, sócia de uma pet shop em Icaraí, não esconde a preocupação com o momento. "Apesar de sermos essenciais, o movimento diminuiu muito porque a circulação de pessoas continua reduzida. O consumo maior é por delivery. Dois dias seguidos com a loja fechada é algo crítico. Na verdade, acho que nem deveria ter feriado neste ano atípico por motivo de força maior. Celebrariam-se as datas funcionando normalmente", opina ela que, segundo a própria experiência comercial, acha pior os feriados prolongados do que os sortidos. "Essa foi uma forma que o prefeito encontrou de administrar essa situação, onde o isolamento é importante e a economia também, e só veremos se vai dar certo experimentando".
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O presidente do Sindicato dos Lojistas (Sindilojas) de Niterói, Charbel Tauil, é contra. "Além de esvaziar o pouco movimento comercial que se poderia ter, ainda por cima vai onerar ainda mais aqueles que estão tentando sobreviver de delivery e terão que pagar horas extras em função dos feriados", comenta. Contudo, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Niterói, Luiz Vieira, explica por que a medida é positiva. "A antecipação do feriado do padroeiro para a semana que vem visa a um índice maior de isolamento social neste momento, para que a curva de contágio se achate mais rapidamente, aproveitando que só uma parte do comércio está funcionando. Assim será possível potencializar os dados positivos para que os estabelecimentos voltem a funcionar. Mudaremos da faixa laranja para a amarela, como o governo está sinalizando, e então os demais segmentos poderão abrir", analisou. 
Helena Falcão, proprietária de uma papelaria e uma gráfica no Centro, concorda com a decisão de antecipar feriados para este momento em que as atividades estão sendo retomadas gradativamente. "Achei interessante, pois à medida em que a maioria ainda não voltou a trabalhar a todo vapor e ainda temos que manter o isolamento social, garantimos no período futuro o novo normal em menos paradas e mais fluidez", acredita.
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