Músicos doaram sua arte voluntariamente ao show beneficente - Divulgação / Regiane Lima
Músicos doaram sua arte voluntariamente ao show beneficenteDivulgação / Regiane Lima
Por Irma Lasmar
Niterói - A live musical "Sambar em Casa Faz Bem", promovida pelo projeto social niteroiense Samba Solidário no último dia 11 à tarde, arrecadou, até o momento, quatro mil reais, 650 quilos de alimentos não perecíveis (sendo meia tonelada desse total doada por uma única empresa parceira), cem máscaras de tecido lavável e trinta kits de limpeza, que serão encaminhados a várias instituições beneficentes da cidade, a serem divulgadas em breve pelas redes sociais do grupo. Foi a 13ª edição do show beneficente, que nos sete anos anteriores já arrecadou 12 toneladas de alimentos para mais de 40 entidades da cidade, além de brinquedos para a Creche Girassóis, no Caramujo - local sempre incluído nas campanhas de arrecadação.
"Não foi a live perfeita, pelo contrário, feita com poucos recursos e algumas falhas técnicas, mas depositamos ali nosso coração. E, claro, a enorme vontade de ajudar o próximo fazendo o bem", revela Pedro Cocan, um dos fundadores e coordenadores do projeto. "A resiliência suplanta a falta de recursos e com a ajuda dos amigos o amor movimenta a causa. Essa pandemia nos tirou da zona de conforto para continuar a nossa missão". Quem perdeu, pode conferir o show pelo canal Samba Solidário Oficial no YouTube (youtu.be/c3TyW_d-9uA). A campanha da vez, batizada de "Quilo Virtual", tem conta nas plataformas Vakinha On-line e PicPay para as colaborações em dinheiro, com cujo montante serão comprados mais mantimentos para reforçar as doações. Aos que ainda quiserem colaborar, podem fazê-lo até esta segunda-feira, acessando http://vaka.me/1090984 e depositando o quanto quiser. 
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A banda da apresentação desta semana contou com os sambistas Digão Batuk, Gabriel Marins, Ginho Da Viola, Jose Victor Ferreira, Marcelo Mikimba, Wagner do Vale, Bruno Cardoso, Thiago Cunha e Vinícius Tanner, todos voluntários (veja fotos na galeria abaixo). Em edições anteriores, já participaram nomes bem conhecidos da música, como Dominguinhos do Estácio, Claudinho Guimarães, Marquinhos Diniz e Alexandre Marmita. O projeto, fundado por Pedro Cocan, Afonso Emerich e Everton Felipe em 2013, hoje também conta com Jorge Eduardo, Fernanda Medeiros, Fernando Figueredo, Kelly Simonin, Fabio Figueredo e Bruno Simonin na coordenação.
A ideia do evento surgiu entre amigos em uma mesa de bar, os quais já haviam realizado antes algumas ações beneficentes, como o recolhimento e o repasse de doações para desabrigados das chuvas, por exemplo. A primeira edição oficial da série de apresentações musicais com foco social foi realizada em 7 de setembro de 2013 e se chamava Samba das Crianças, pois visava a angariar brinquedos para presentear a garotada do Morro do Cavalão no mês seguinte, comemorativo das crianças, em parceria com a Paróquia de São Judas Tadeu. A partir daí, o grupo não parou mais: com uma média de três eventos por ano, a presença e a participação do público aumentaram significativamente - o que pode ser constatado nos vídeos hospedados no canal da banda no YouTube, um deles gravado por Natália Luz, jornalista militante de causas humanitárias internacionais, que na época era correspondente da ONU e também desenvolvia o projeto "Por Dentro da África". Com a ampliação das ações para outras datas do ano, o nome mudou para Samba Solidário, abraçando toda e qualquer causa.
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"Os músicos doam sua arte, as pessoas doam alimentos, brinquedos ou outros itens, dependendo da campanha, e com muito trabalho e carinho conseguimos atingir o objetivo, às vezes contemplando até mais de uma instituição", conta o jornalista e músico Pedro Cocan, lembrando com emoção a preciosa ajuda dada à Creche Girassóis, no Caramujo, que atende a cem crianças. Foi uma foto compartilhada do pessoal do projeto com a criançada da creche que chamou a atenção de um empresário de grandes eventos do Rio, que se uniu à causa e em um único show saltou de 150 quilos de alimentos para quase três toneladas doadas, envolvendo quinze voluntários no trabalho de seleção e organização dos itens, que serviram para beneficiar mais sete entidades. A Girassóis, aliás, continuou amparada pelos músicos, que conseguiram a reforma do refeitório e eletrodomésticos. Com uma maior expansão e visibilidade, essa turma do bem conseguiu outros locais para os eventos. 
"O Samba Solidário não é um grupo musical, mas um projeto social, em que a música é a catalizadora. E, apesar de sermos muito assediados por políticos, mantemos nossas atividades isentas de outros interesses que não sejam o amor", exclama Cocan. Em 2017, o evento sofreu uma enorme perda: Dona Ceci, mãe do músico, a primeira e maior incentivadora do grupo, que faleceu de câncer de mama. "É trabalhoso e desgastante fazer filantropia, mas dá também um prazer enorme ver os resultados", desabafa ele, que herdou da mãe o espírito altruísta. Mas aquele foi também o ano do recorde de público: 750 pessoas no total flutuante da Toca da Gambá, no Barreto. Mas, diante do aumento das responsabilidades com o evento e os caminhos profissionais e pessoais de cada um individualmente, o trabalho social sofreu uma pausa de quase dois anos, sendo retomado no ano passado. 
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Pela live de quinta-feira, os coordenadores do Samba Solidário agradecem a Pedro De Brito Lira, do Boteco do Lira, por ceder o espaço da filmagem; Vinicius Ferraz, pela transmissão ao vivo; o amigo Del, da Laroiê Serviços e Equipamentos Técnicos, pela iluminação; Bia Rocha e Katharine Segges pela decoração do cenário; Lis Andrade, a apresentadora; e demais voluntários, além dos doadores que se engajaram na campanha. Entre estes, destaca a empresa Fleischmann, Jorge Eduardo e a família Baldi, com alimentos, e Gabriela Moreira, com os kits. E, é claro, aos músicos que doaram sua arte à nobre causa.