Jaqueline Silva da Fonseca e o marido Jorge Luiz Pereira da Fonseca mostram o cartão-alimentação: alívio na crise - Divulgação / Luciana Carneiro
Jaqueline Silva da Fonseca e o marido Jorge Luiz Pereira da Fonseca mostram o cartão-alimentação: alívio na criseDivulgação / Luciana Carneiro
Por O Dia
Niterói - Primeira cidade da Região Metropolitana a adotar medidas sociais e econômicas para reduzir os impactos provocados pela pandemia do novo coronavírus - entre elas, os programas Renda Básica Temporária e Busca Ativa, nos quais a Prefeitura concede um auxílio financeiro de R$ 500 por mês para cerca de 50 mil famílias em situação de vulnerabilidade social - Niterói também saiu na frente ao aprovar a prorrogação do pagamento do benefício emergencial até dezembro de 2020. Desta forma, profissionais e chefes de família estão conseguindo manter em dia suas refeições diárias e a compra de medicamentos diante do período de transição para o novo normal.
O prefeito Rodrigo Neves lembra que, inicialmente, o benefício seria pago nos meses de maio, junho e julho, e que, para isso, foi criado um plano de apoio às famílias, especialmente às que mais precisam. Após diversas reuniões no Gabinete de Crise e diante do cenário da pandemia do coronavírus, o prefeito enviou um projeto de lei à Câmara de Vereadores com a extensão dos programas até o fim de 2020, que foi aprovado e sancionado em poucos dias.
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"Nosso objetivo sempre foi não deixar ninguém desamparado durante este período tão difícil que estamos passando ao enfrentar essa pandemia, no contexto dessa gravíssima crise de saúde, social e econômica. Tudo foi planejado com muita responsabilidade e transparência, desde o levantamento de dados, dos cadastros, até a entrega dos cartões pré-pagos para que essas pessoas pudessem ter acesso ao benefício. A retirada dos cartões aconteceu em diferentes pontos da cidade, sem filas e sem aglomeração. Niterói, mais uma vez, deu um exemplo de cidadania. Mostramos que não há contradição em salvar vidas e manter a economia de pé”, ressaltou Rodrigo Neves.
O autônomo Roberto Carlos Rocha, 55 anos, morador do Caramujo, conta que, com a chegada da pandemia, sua situação de sobrevivência só não foi mais crítica devido ao benefício do Renda Básica Temporária, a que ele teve direito pelo Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal. “A pandemia nos deixou assustados, sem planos e sem visão de futuro, de mãos atadas. Nos causou muitos transtornos, não só financeiros, mas de instabilidade e medo. O cartão que a Prefeitura entregou veio para nos ajudar a ficar de pé nesse período. Se você olhar para o Rio, quantos municípios se preocuparam em ajudar as pessoas a se manterem nesse período? O cartão nos ajuda a manter a alimentação e o combustível. Com isso, evitou que a gente fosse para a rua no momento mais crítico para não nos expor e preservou vidas. Isso sem falar na sanitização, que também ajudou muito no combate ao coronavírus”, enfatiza ele.
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Moradora da Cova da Onça, no Baldeador, a artesã Jaqueline Silva da Fonseca, 50 anos, inscreveu-se no programa Busca Ativa e, com o auxílio mensal no valor de R$ 500, conseguiu equilibrar as contas da casa. Ela afirma que a prorrogação do benefício trouxe um alívio e a certeza de poder se programar para, aos poucos, ir retomando a rotina da família e do trabalho. “Nesse período, ficamos estagnados, sem poder sair e correr atrás do pão de cada dia. Fiquei muito desanimada e bastante preocupada. Ao receber o cartão com o benefício, eu e meu marido Jorge Luiz Pereira da Fonseca fizemos um planejamento e fomos nos organizando para fazer as compras do mês. Este auxílio foi fundamental para a gente conseguir manter as contas em ordem neste momento de crise”, desabafou.
Mãe de uma criança de apenas quatro anos, Luciana Santos de Oliveira, de 37, moradora do Caramujo, fala da preocupação que estava em não poder manter a alimentação do filho. “Estava prestes a começar em um emprego novo quando veio o decreto de isolamento domiciliar. Por conta disso, a empresa dispensou as contratações. Eu só recebia a pensão do meu ex-marido que, por ser motorista de coletivo e ter o salário reduzido, também precisou alterar o valor que dava para ajudar nas contas. Foi desesperador. No primeiro mês, recebi uma cesta básica da Prefeitura entregue aos alunos das escolas municipais, onde meu filho estuda. Eu ficava tranquila porque as refeições eram na escola. Agora ele fica o dia inteiro em casa e ainda toma mamadeira. Sem o cartão, acho que teria dificuldades para manter o leite dele”, disse, aliviada.
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Carmem Lúcia de Souza Dias Moura, 59, também viu sua rotina mudar completamente. Moradora do Sapê, ela participava de feiras de artesanato nos fins de semana para vender seus produtos e com a pandemia tudo parou. Por isso, o auxílio do Busca Ativa está sendo tão importante para ela seguir em frente. “Até receber o cartão com o benefício, o que me ajudou foi a venda de máscaras. Eu trabalho produzindo bonecas de pano, então tinha bastante tecido em casa. Mas logo depois as vendas foram diminuindo e eu não sabia o que fazer. Então, quando a Prefeitura decidiu dar essa ajuda, fiquei muito agradecida e aliviada por mim e por todos os artesãos e profissionais que precisam desse auxílio”, desabafou a artesã, emocionada.