Editora Proverbo lançou chamadas para publicação de coletânea sobre temas diversos, visando a concretizar os sonhos de escritores estreantes sem verba para investir em livro próprio - Divulgação / Gaia Comunicação
Editora Proverbo lançou chamadas para publicação de coletânea sobre temas diversos, visando a concretizar os sonhos de escritores estreantes sem verba para investir em livro próprioDivulgação / Gaia Comunicação
Por Irma Lasmar
Niterói - Com e-books e audiolivros ganhando cada vez mais espaço e público, a sobrevivência da publicação em papel e a adaptação aos novos formatos de leitura se tornaram desafios crescentes, porém menos agravados graças à venda por lojas virtuais, já que o distanciamento social devido ao novo coronavírus sepultou inúmeras livrarias físicas, como as redes Saraiva e Cultura - responsáveis por 40% das vendas no país. Contudo, a pandemia do novo coronavírus, por sua vez, criou um cenário ainda mais complexo: desempregados cortaram os livros de suas despesas, enquanto quem não teve as finanças alteradas aproveitou o isolamento domiciliar para ler mais.
Idealizador e coorganizador da Feira Literária de Niterói (Flinit) realizada em 2018 e 2019, Celso Possas Jr. lembra que o mercado editorial vem enfrentando dificuldades já há algum tempo, fruto da crise econômica brasileira dos últimos anos que não fechou somente livrarias, mas lojas e escritórios de um modo geral. “Nos momentos de crise e elevado desemprego, as famílias tendem a cortar produtos menos essenciais à sua sobrevivência direta, como livros. Em paralelo, a chegada das lojas e plataformas digitais causou grande impacto no comércio físico. Ainda há um problema de gestão e demora dos grupos de livrarias do Brasil em se adaptarem à nova realidade de mercado”, analisa ele, contando que, em 2020, houve um aumento na venda de livros pela internet e de e-books, já que devido à pandemia as pessoas ficaram mais tempo em casa e, consequentemente, lendo mais do que nunca. “Certamente há pessoas com dificuldades financeiras pela queda da renda e, assim, comprando menos livros, mas aqueles cujo poder aquisitivo não foi alterado com o isolamento estão comprando mais do que o normal, porém on-line”. 
Publicidade
Para Possas, que é escritor e diretor da editora Itapuca, é difícil compartilhar receitas ou estratégias de sucesso, já que artistas, empreendedores e produtores culturais vivem situações distintas e particulares na crise. “Muitas editoras tiveram quedas nas edições de livros com investimento do próprio autor, a maioria deles prefere aguardar a normalização das coisas para editar e lançar suas obras. Da mesma forma, as editoras reduziram drasticamente a impressão de novas tiragens, o que afetou às gráficas além do restante da cadeia de produção”, descreve. “O que temos feito é buscar formas alternativas de vendas, apropriadas para a quarentena, como um motoboy que entrega diariamente livros em Niterói, e aproveitar o tempo que está sobrando para gerar frutos para o futuro, produzindo livros para lançamento somente em 2021, e investindo nas redes sociais para manter a conexão com o público através de bate-papos com autores, lançamentos virtuais e entrevistas. É visível que hábitos de consumo sofrerão mudanças definitivas, tanto em lojas físicas como em ambientes virtuais, além de atividades profissionais, o formato dos escritórios, a quantidade de pessoas em home office e o tamanho das redes sociais".
Indo contra qualquer possibilidade de futuro negativo do mercado editorial, Vilson Ferreira se empenha, em meio a este cenário ainda incerto, em realizar o sonho de escritores, principalmente os mais jovens e/ou principiantes no ramo, através de sua editora, a Proverbo. O editor lançou algumas chamadas para publicação de coletânea sobre temas diversos, como esperança pós-pandemia, juventude e educação, entre outros (mais informações em proverboeditora.com.br). Uma delas, com relatos femininos de superação e crescimento pessoal diante de desafios diversos da vida, será "Essas mulheres maravilhosas e suas histórias inspiradoras", com organização de Márcia Fernandes. Além de trazer um conteúdo mais do que oportuno aos tempos modernos, o livro concretiza o sonho daquelas que acalentam o sonho de publicar seus escritos mas não têm dinheiro o bastante para investir na tiragem de uma obra individual. "Claro que também fazemos livro digital, mas o livro físico continua sendo a estrela e o xodó de todos os escritores", acredita.
Publicidade
Já a escritora e poetisa Lucília Dowslley conta que em todo ano os dois primeiros meses, assim como o último, são de planejamento na editora de sua propriedade, que leva seu sobrenome, existente desde 2015. Em 2020, justamente em março, quando recomeçaria sua agenda, veio a quarentena e os projetos ficaram em sua maioria paralisados, principalmente os lançamentos presenciais das obras em andamento. A solução, para ela, foi divulgar suas produções virtualmente. Com quarenta títulos publicados em cinco anos, ela finalizou mais um trabalho em janeiro deste ano, mas o autor não quis um lançamento virtual por se declarar pouco hábil em plataformas digitais, assim como outro escritor cuja obra será impressa no segundo semestre. Para estes, Lucília pretende promover a vernissage presencial tão logo termine a pandemia. A editora revela que investirá na venda on-line e na divulgação em redes sociais, além de criar um canal no YouTube. 
"Atendendo a pedidos, farei ainda uma segunda chamada para a coletânea 'Foco na Poesia', que em 2017 fez muito sucesso, reunindo escritores e fotógrafos. Como o esquema é de cooperativa, o custo é mais baixo do que publicações individuais. Outro projeto que pretendo concretizar é 'Eu e meu pet', inspirada na minha gata de estimação, Toshi, falecida aos doze anos, no qual qualquer pessoa, mesmo não sendo um literato, poderá aderir e homenagear seu animalzinho com palavras e/ou fotos", adianta Lucília, que reuniu cem poetas na antologia "Um brinde à poesia" - que leva o nome do sarau cultural que realiza na cidade há 21 anos - e o fará novamente este ano, agora contemplada pelo edital da Lei de Fomento às Artes, da Secretaria Municipal de Cultura de Niterói, mediante aprovação de sua inscrição no fim de 2019, com 130 escritores participantes sem custo algum, já que possui incentivo de verba pública reservada para tal. Pelo projeto, mil livros serão publicados e distribuídos gratuitamente às bibliotecas e escolas públicas niteroienses. 
Publicidade