Cris Morgan e Paulo Gonçalves, coordenadores respectivamente do Davida e do Outubro Rosa Niterói: parceiros na luta pela vida - Divulgação
Cris Morgan e Paulo Gonçalves, coordenadores respectivamente do Davida e do Outubro Rosa Niterói: parceiros na luta pela vidaDivulgação
Por Irma Lasmar
NITERÓI - A ONG niteroiense Davida Casa do Bom Samaritano fechou parceria com as cariocas Fundação do Câncer e Pipa Social para a execução de um projeto oportuno e essencial: a produção e distribuição de máscaras de pano reutilizáveis para proteger pacientes oncológicos - um dos públicos mais vulneráveis à contaminação pela covid-19. A Fundação arrecadou, com a ajuda da internet, os recursos para a confecção de aproximadamente 3.400 máscaras pela Pipa, que encaminhou cerca de 2.400 para o Instituto HemoRio e o restante para o Davida, que as receberá no próximo domingo às 10h em sua sede no loteamento Vale Feliz, bairro do Engenho do Mato. Os 580 kits com duas máscaras cada serão doados em parte ao Movimento Outubro Rosa Niterói - coordenado por Paulo Gonçalves - e outra parte à ONG gonçalense Unidas Pela Vida. Esses grupos filantrópicos a serem beneficiados com os equipamentos de proteção individual do lado de cá da Baía de Guanabara são formados por mulheres que tiveram, estão em remissão ou têm câncer de mama.
"É um orgulho ser escolhida para uma ação tão importante. Prova de que o Davida faz a diferença na sociedade e tem uma visibilidade positiva. Quando veio a pandemia, nós que lidamos com pessoas em situação de vulnerabilidade e risco sabíamos que muitos doentes sem recursos iriam para as sessões de quimioterapia sem máscara ou talvez até faltassem ao tratamento, pois essa é a realidade de muitos pacientes. Montamos uma linha de produção desses equipamentos individuais e doamos para pacientes e para os familiares que os acompanham, até que a Fundação do Câncer entrou em contato conosco com a ideia de unir forças em direção ao mesmo propósito", fala Cristina Ana Morgan Figueiroa, fundadora da ONG Davida, sobre a campanha #UmPorTodos.
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A advogada Patrícia Silva, ex-diretora do centro de imagem Espaço Rosa, que faz prevenção e diagnóstico de câncer de mama e de útero em São Gonçalo, é a idealizadora do Unidas pela Vida, fundado na mesma cidade em 2017 para fins de apoio e orientação, que possui no momento 704 integrantes, 80% delas em tratamento de câncer de mama ou ex-pacientes de quimioterapia. O grupo também se reunia para produzir voluntariamente próteses de alpiste para uso no sutiã, em substituição à mama retirada, o que elevava a autoestima de mulheres de diferentes classes sociais, idades e profissões unidas na luta pela vida. “Quando um câncer alcança uma mulher, na verdade atinge a família inteira, que precisa se adaptar porque ninguém está preparado para receber esse diagnóstico, que é duro. Então é fundamental dar esperança e colo para ela”. 
A contadora Isabel Cristina Rodrigues de Sousa, 53 anos, é uma das integrantes do projeto que receberão o kit de máscaras da campanha #UmporTodos, idealizada pela Fundação do Câncer. Moradora do bairro de Itaipu, ela é voluntária de vários projetos de apoio no combate ao câncer desde que descobriu um tumor de mama em estágio avançado e precisou fazer uma mastectomia. Há quatro anos conheceu o Movimento Outubro Rosa por meio de seu fisioterapeuta, Paulo Gonçalves, que é o coordenador do projeto. “É muito bom saber que uma instituição como a Fundação olha para pessoas que não têm muitas vezes condições de comprar uma máscara para se proteger. São 580 kits que vão beneficiar não apenas pacientes, mas seus acompanhantes, já que cada um contém duas máscaras”, elogia.
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A ONG Pipa Social é um polo de criação coletiva que atua na geração de renda em 49 comunidades do Rio e da Baixada Fluminense através da costura e do artesanato. Pessoas solidárias à causa podem colaboraram com valores diferentes através da homepage da Fundação do Câncer (www.cancer.org.br), clicando no link criado para a campanha, que já se encerrou. Os especialistas da entidade, em conformidade com os órgãos e profissionais da área de oncologia, recomendam que os pacientes com câncer não interrompam os seus tratamentos durante a pandemia do novo coronavírus, mediante o uso de máscara de proteção e da esterilização frequente das mãos com álcool em gel.
De acordo com os médicos, os pacientes oncológicos têm maiores chances de desenvolver quadros mais graves da covid-19, daí a necessidade de prover e garantir proteção e conscientização deste público e de seus cuidadores. “O coronavírus é mais preocupante para alguns grupos de risco. Entre eles estão os pacientes com câncer, cujos sistemas imunológicos são frequentemente enfraquecidos pela doença e seus tratamentos, especialmente nos casos de neoplasias hematológicas, em quimioterapia ativa e em transplantados de medula óssea”, alerta o médico epidemiologista Alfredo Scaff, consultor da Fundação do Câncer.