Polícia fecha clínicas de recuperação acusadas de torturar pacientes

Segundo o delegado, 'alguns internos contam que foram enterrados vivos, só com a cabeça de fora'

Por julia.amin

Goiânia - Uma operação policial fechou nesta terça-feira duas clínicas de recuperação de dependentes químicos em Anápolis, a 55km de Goiânia. As istituições eram irregulares e cobravam R$8 mil por paciente. Ao invés do acompanhamento profissional, os dependentes eram dopados e submetidos a torturas. Seis pessoas foram presas e três escaparam.

A denúncia foi feita à Polícial Civil por duas pessoas que conseguiram fugir de uma das clínicas no bairro Arco Verde. O delegado responsável pela operação, Manoel Vanderic, afirmou que mais de 60 internos foram vítimas de torturas físicas e psicológicas. “Alguns internos contam que foram enterrados vivos, só com a cabeça de fora. Outros foram obrigados a comer toco de cigarro. Algumas mulheres disseram que foram algemadas nuas na cerca, outras, jogadas na piscina de madrugada”, contou.

Paciente mostra marcas de torturaReprodução TV


Quando a polícia chegou no local, havia 41 internatos. Depois, foi descoberta a existência de mais uma clínica funcionando na zona rural de Anápolis. Segundo Vanderic, quando os policiais chegaram no lugar indicado, os responsáveis tinham fugido com os pacientes em caminhonetes. Mais tarde, foram encontrados 20 internos em uma chácara na Vila Fabril.

Durante a operação, foram apreendidos armas de choque, armas de pressão, algemas e medicamentos tarja preta. Os pacientes dormiam em alojamentos sem camas, armários e com janelas sem vidors. Vanderic confirmou que as instituições são irregulares e não têm autorização da prefeitura nem da vigilância sanitária.

A polícia conseguiu prender um dos médicos donos das clínicas e cinco coordenadores das instituições. Todos são acusados por cárcere privado, sequestro qualificado e tortura. Já outro proprietário e dois funcionários conseguiram escapar.

Os pacientes foram levados para o 6º Distrito Policial de Anápolis, onde esperam por familiares. O delegado afirmou ter pessoas de muitas partes do Brasil.

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