Por helio.almeida

São Paulo - O sexto ato contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo terminou em caos nesta terça-feira depois que um pequeno grupo de manifestantes tentou invadir a sede da prefeitura e botou fogo num carro da TV Record , numa agência bancária e até em uma guarita no centro da cidade. Sem a presença da Polícia Militar, que demorou quase uma hora para chegar ao local, grande parte dos ativistas tentou coibir a destruição, mas nem um jovem vestido de Super-Homem conseguiu evitar a depredação.

Super-Homem tenta conter manifestantes e quase apanhaRenan Truffi / iG

“Quase levei pedrada tentando defender”, conta o artista plástico e músico William Edward, de 18 anos. Morador de São Paulo há apenas dois meses, quando chegou de Santa Catarina, o jovem se posicionou em frente à fachada lateral do prédio onde fica o prefeito Fernando Haddad, quando vândalos começaram a arremessar pedras nas janelas. “Vim aqui porque acho que essa (redução da passagem) é uma causa justa, mas essa atitude de agressão não é o caminho. Destruir nossas conquistas não é o caminho”, explicou.

Questionado sobre o motivo da fantasia, Edward falou que acredita que o Brasil sente falta de alguém que represente a população. “Vim de Super-Homem porque o Brasil precisa de um herói. Se tivéssemos alguém para lutar pelos nossos direitos. Isso tudo está acontecendo porque não temos um líder. Ontem (segunda) foi uma coisa bonita. Tentei sair com um pouco de dignidade, mas o que vi foram pessoas destruindo nossas conquistas”, opinou.

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Assim como o músico, várias pessoas tentaram controlar o grupo que iniciou os confrontos com a Guarda Civil Municipal na porta da prefeitura. Houve empurra-empurra, alguns se colocaram até na frente da porta do prédio, mas os jovens que queriam depredar usaram bombas e rojões para assustar o grupo que pedia manifestação “sem vandalismo”.

Em um dos momentos de tensão, um homem subiu na parede da sede da Prefeitura para pichar a palavra “anarquia”. Vários manifestantes impediram o homem e chegaram a correr atrás dele para lhe dar uma surra. Mas foram convencidos que o momento não é para "guerra".

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