Corpo de Dominguinhos é velado em São Paulo

Enterro de músico deve ocorrer nesta sexta-feira, em Recife

Por helio.almeida

Dominguinhos morreu aos 72 anos Reprodução

São Paulo - O corpo do músico Dominguinhos está sendo velado desde as 6h desta quarta-feira na Assembleia Legislativa de São Paulo, na região do Ibirapuera, na Zona Sul da capital. O velório em São Paulo deve ocorrer até as 16h. Depois, o corpo seguirá para Recife, onde deverá ser enterrado na sexta-feira.

Um representante do Grammy Latino foi até o local entregar para a família do músico o prêmio que ele ganhou na categoria “Melhor Álbum de Música de Raízes Brasileiras”, no ano passado, pelo álbum “O Iluminado”. O prêmio seria entregue ao cantor quando ele deixasse o hospital. Como isso não aconteceu, a organização decidiu enviar um representante até lá para prestar esta homenagem. 

Dominguinhos morreu às 18h desta terça-feira aos 72 anos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O cantor, que estava internado desde 13 de janeiro, voltou para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na segunda-feira. Ele lutava há seis anos contra um câncer de pulmão. Segundo o hospital, Dominguinhos morreu em decorrência de complicações infecciosas e cardíacas.

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No dia 15 de março de 2013, o filho mais velho do primeiro casamento do sanfoneiro disse que o pai estava com um quadro irreversível de coma, que estaria encaminnhando para o estado vegetativo. Mauro da Silva Moraes disse que os médicos informaram para a família no dia 25 de fevereiro do mesmo ano que o compositor não deveria mais acordar e que o coma não tinha mais volta. "Eu perguntei se ele ia acordar e ele me disse que não, que o quadro do meu pai estava caminhando para um coma vegetativo”, lamentou o filho.

“É triste saber que os admiradores não sabem o verdadeiro estado de saúde dele", disse Mauro, o primeiro a falar sobre a situação do pai, três meses após a contatação dos médicos. "As pessoas pensavam que ele estava melhorando. O marcapasso foi retirado, um dos rins está funcionando, mas ele não tem reação alguma. Faz alguns movimentos, como apertar a mão, mas os médicos disseram que é involuntário”, contou. “Oro todo dia para ele acordar. Milagres existem”.

Entre o meio do mês de dezembro e o começo de janeiro de 2012, Dominguinhos ficou internado para tratar de uma infecção respiratória e uma arritmia cardíaca no Hospital Santa Joana, em Recife. O instrumentista, que era portador de diabetes e lutava contra um câncer de pulmão há cerca de seis anos, chegou a ficar sedado e respirando com a ajuda de aparelhos.


Trajetória

O menino que começou a tocar sanfona aos seis anos de idade e ficou mais conhecido como Dominguinhos, nasceu José Domingos de Morais em 12 de fevereiro de 1941, em Garanhuns, no agreste de Pernambuco. Juntamente com mais dois irmãos, formaram "Os Três Pinguins", que tocavam em feiras livres e portas de hotéis do interior pernambucano. Neste perído, ainda apelidado de Neném, conheceu Luiz Gonzaga aos oito anos, na porta de um hotel em que este se apresentava. Gonzagão então se tornou o seu padrinho artístico, dando-lhe uma sanfona e sugerindo o nome que ficou levou para o resto da vida junto com o reconhecimento de sanfoneiro mais importante do país.

Dominguinhos estava internado no Hospital Sírio-Libanês de janeiroDivulgação

Cantor, compositor, instrumentista e sanfoneiro, Dominguinhos se mudou para o Rio de Janeiro em 1954 e passou a se apresentar com os imrãos no interior do estado. Em 1957, aos 16 anos, fez sua primeira gravação, tocando sanfona num disco de Luiz Gonzaga, na música "Moça de feira", de Armando Nunes e J.Portela. No mesmo ano, formou o Trio Nordestino. Aprendeu a tocar samba e bolero, tocou em boates e "inferninhos". Em 1965, foi convidado para gravar um LP destinado ao público migrante nordestino e, com isso, voltou a tocar forrós e baiões.

Reconhecimento

Começou a se apresentar com Gonzagão, o que lhe deixou em maior evidência. Viajou para a França com Gal Costa e trabalhou com Gilberto Gil, que gravou o maior sucesso de Dominguinhos, em parceria com Anastácia, "Eu só quero um xodó". Gravou "Isso aqui tá bom demais", em parceria com Chico Buarque, e gravada pelos dois, foram incluídas em novela, o que fez aumentar nacionalmente sua popularidade. Também participou de trabalhos de artistas como Caetano Veloso, Maria Bethânia, Elba Ramalho e fez trilhas sonoras para o cinema.

Primeira vez em 50 anos de carreira gravou um disco todo ao vivo, no teatro Sesc Pompéia, na capital paulista, em 2009. "Dominguinhos ao Vivo", traz a excelência do forró nacional, pela primeira vez gravando com o acompanhamento de uma orquestra. "Falar sobre esse DVD é como falar sobre um filho que está para nascer, porque nos meus 50 e poucos anos de carreira artística é o meu 1º DVD", informou o aretista em seu site. "Me sinto feliz, satisfeito, maravilhado com tudo que aconteceu durante a gravação".

Em 2010, foi contemplado com o prêmio Shell de Música, pelo conjunto de sua obra. No mesmo ano, lançou o DVD "Iluminado Dominguinhos", um projeto que contou com o apoio do Ministério da Cultura. Em 2011, participou do "São João carioca", evento realizado pela prefeitura do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista. No mesmo ano, participou do CD "Sorrir faz a vida valer", de Roberta Miranda, na faixa "Forrópeando". A gravação integrou a trilha sonora de novela e o disco foi indicado ao prêmio Grammy Latino, na categoria Melhor Álbum de Música Sertaneja.


Discografia

2009 - Dominguinhos Ao Vivo
2008 - Conterrâneos Dominguinhos
2005 - ELBA RAMALHO E DOMINGUINHOS
2007 - Yamandu + Dominguinhos
2002 - CHEGANDO DE MANSINHO
2001 - LEMBRANDO DE VOCÊ
2001 - DOMINGUINHOS - AO VIVO
1999 - VOCÊ VAI VER O QUE É BOM
1998 - NAS COSTAS DO BRASIL
1997 - DOMINGUINHOS E CONVIDADOS CANTAM LUIZ GONZAGA
1996 - PÉ DE POEIRA
1995 - DOMINGUINHOS É TRADIÇÃO
1994 - NAS QUEBRADAS DO SERTÃO
1994 - CHORO CHORADO
1993 - O TRINADO DO TROVÃO
1992 - GARANHUS
1991 - DOMINGUINHOS É BRASIL
1990 - AQUI TA FICANDO BOM
1989 - VEREDAS NORDESTINAS
1988 - É ISSO AÍ! SIMPLES COMO A VIDA
1987 - SEU DOMINGOS
1986 - GOSTOSO DEMAIS
1985 - ISSO AQUI TA BOM DEMAIS
1983 - FESTEJO E ALEGRIA
1982 - SIMPLICIDADE
1982 - DOMINGUINHOS E SUA SANFONA
1982 - A MARAVILHOSA MÚSICA BRASILEIRA
1981 - QUERUBIM
1980 - QUEM ME LEVARÁ SOU EU 1
1979 - APÓS TA CERTO
1978 - O XENTE! DOMINGUINHOS
1977 - OI, LA VOU EU
1976 - DOMINGO, MENINO DOMINGUINHOS
1974 - FORRÓ DE DOMINGUINHOS
1974 - DOMINGUINHOS E SEU ACORDEON
1973 - TUDO AZUL
1973 - LAMENTO DE CABOCLO
1973 - FESTA NO SERTÃO
1966 - 13 DE DEZEMBRO
1965 - CHEINHO DE MOLHO
1964 - FIM DE FESTA


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